Os Museus são espaços fundamentais para a evocação da memória de uma
comunidade, mas também se afirmam como progressivamente decisivos para a
criatividade e inovação. Não podendo ser apenas um depósito de objetos, estático
e inflexível, além de uma exposição permanente adequada à missão previamente
definida, um Museu deve ser um espaço dinâmico, em que o seu espólio possa ser
explorado em diferentes narrativas, através de exposições temporárias ou outras
ações que possam valorizar a sua missão e continuar a atrair a comunidade que
servem.
Um Museu não pode ser um espaço parado no tempo, limitado à exposição
dos mesmos objetos ou à explanação das mesmas narrativas. Se assim for, por que
motivo um visitante poderá lá regressar?
A necessidade de repensar continuamente o conceito de museu, tem
conduzido o Conselho Internacional de Museus (ICOM) a refletir sobre a missão
que é especialmente confiada a estas instituições. Por isso mesmo, em 2022 foi
aprovada uma nova definição de Museu. “Um museu é uma instituição
permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade, que investiga,
coleciona, preserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial.
Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus promovem a diversidade e
a sustentabilidade. Atuam e se comunicam de forma ética, profissional e com a
participação das comunidades, oferecendo experiências variadas de educação,
fruição, reflexão e troca de conhecimentos”.
A premência de uma reflexão sobre o papel dos museus na sociedade
também se estende a Portugal, onde têm surgido visões promissoras e oportunas
sobre a sua missão. Nas últimas duas décadas vimos surgir modelos de gestão
integrada dos espaços museológicos em que se procura, não apenas uma maior
eficácia na gestão operacional, mas principalmente uma complementaridade na
missão, uma vez que cada um dos espaços aborda temáticas distintas, mas, em
conjunto, oferecem uma visão geral sobre a comunidade onde se implantam. Este
princípio foi fazendo surgir projetos de Museus de Cidade em que os núcleos
museológicos de diversos âmbitos e períodos históricos oferecem uma narrativa
conjunta ao visitante. Desta forma, podem iniciar um percurso num núcleo
museológico devotado à arqueologia, percorrendo em seguida o passado medieval,
renascentista ou barroco, terminando o percurso numa abordagem mais
contemporânea.
A primeira cidade portuguesa a avançar para uma solução deste âmbito
foi o Porto que, em 2002, criou o Museu da Cidade do Porto, no qual reuniu
cinco espaços museológicos, cuja missão era exercida em complementaridade.
Ponderando inicialmente a construção de um grande museu da cidade, a edilidade
portuense deliberaria depois instituir uma entidade que desse sentido aos
núcleos museológicos já existentes, que, em conjunto, vão abordando as diversas
temáticas e facetas da história e identidade da cidade.
Mais tarde, em 2015, também a cidade de Lisboa aderiria a este conceito,
com a criação do Museu de Lisboa, “com o propósito de aglutinar uma parte
considerável da herança museológica municipal da cidade”, incluindo o seu
núcleo principal de exposição, e outros espaços museológicos do período romano,
medieval ou renascentista, mas também um museu que explora o seu Património
Imaterial, tendo previsto incluir um outro núcleo devotado ao Património Industrial.
Inspirando-se nestes modelos, também a cidade de Braga poderia repensar
a sua forma de gestão dos espaços museológicos, não apenas aqueles que estão
sob a alçada da Câmara Municipal, mas também os museus de gestão estatal ou da
Igreja. Também os pequenos núcleos museológicos já existentes poderiam ser
integrados nesta nova abordagem, cujos primeiros beneficiários seriam os
bracarenses. A criação de um Museu da Cidade de Braga, em que os visitantes
seriam convidados a percorrer a história da cidade progressivamente através dos
diversos núcleos museológicos já existentes, permitiria uma visão alargada da
nossa identidade comum. Também as instituições de ensino seriam especialmente
favorecidas com esta visão estruturada da missão dos museus bracarenses.
Os modelos de gestão integrada
dos espaços museológicos municipais, que deverá ser alargada aos espaços
museológicos de outras instituições, pode constituir-se como uma oportunidade
para uma oferta cultural estruturada, em que cada espaço remete para os demais
e a missão de cada instituição se complementa e, eventualmente, inaugura
oportunidades de colaboração.
Por que não um Museu da Cidade
em Braga?
Rui Ferreira
Presidente da Direção da Braga Mais