quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Percursos Brácaros de Natal: a História do Presépio


As associações Braga + e JovemCoop continuam com os seus Percursos Brácaros, promovendo mais uma visita guiada digital, tendo como temática especial a História do Presépio.

Este percurso realiza-se no próximo sábado, 12 de Dezembro, pelas 10h30, com transmissão a partir da Capela de Guadalupe.

Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a colaboração da Irmandade de Nossa Senhora de Guadalupe, decorre a partir das 10h30, podendo ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook. 

Como já é tradição este percurso terá uma vertente solidária e pelo sexto ano consecutivo iremos apoiar a "Missão Põe Azeite" realizada pelo Grupo Coral Guadalupe Guadalupe

Pedimos a todos os participantes que contribuam com garrafas de azeite, para isso podem deixar a doação na Junta de Freguesia de S. Victor ou entrando em contacto com a JovemCoop, que se disponibiliza para recolher o azeite. Temos ainda a opção de contribuir através de MBWay, considerando o valor de 1 garrafa de azeite em 3€.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

+ CIDADANIA: Árvore Europeia do Ano em Braga

 

O Património, conceito especialmente cultivado a partir da Revolução Francesa, e especialmente fortalecido após a 2.ª Guerra Mundial, revela-se como dimensão essencial na salvaguarda da memória coletiva de uma comunidade. No entanto, o património não está limitado aos monumentos. Além do património imóvel, hoje sabemos que o património também pode ser móvel, geológico, e até imaterial. E se lhe dissesse que as árvores também podem ser reconhecidas como património e são dignas até de classificação, tal como os monumentos?

Neste âmbito, a França foi um dos países pioneiros, tendo instituído em 2 de maio de 1930 uma lei que levou à proteção de monumentos naturais. A Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural seria adotada pela UNESCO apenas em 1972. Portugal aderiu a esta Convenção ano de 1979, consagrando os seus princípios na nossa legislação, no mesmo período em que instituiu também os parques e reservas naturais.

Mesmo tratando-se de um bem finito, o reconhecimento público do património natural, nomeadamente as árvores, convoca as sociedades, não apenas para a sua proteção legal e inventariação, como convoca as pessoas para um maior envolvimento na sua salvaguarda e divulgação.

Por isso mesmo, em Portugal possuímos um Registo Nacional do Arvoredo de Interesse Público que integra “exemplares isolados ou conjuntos arbóreos que, pela sua representatividade, raridade, porte, idade, historial, significado cultural ou enquadramento paisagístico”, possam ser considerados de relevante interesse público e se recomenda a sua cuidadosa conservação.

No território bracarense já existem nove árvores classificadas. Na cerca do Mosteiro de Tibães dois cedros do Himalaia e um pinheiro-bravo bicentenário; no Bom Jesus do Monte, um plátano na mata do santuário e um carvalho-alvarinho junto à Estação do Ascensor; e um sobreiro e dois carvalhos-alvarinho no jardim junto à Capela de Santa Tecla, em São Victor. Todavia, a mais majestosa e ancestral árvore bracarense integrada no Registo Nacional do Arvoredo de Interesse Público é o tulipeiro da Virgínia que, do alto dos seus 27 metros de altura e quase 300 anos de existência, está implantado no Jardim do Museu dos Biscainhos.

                Esta árvore exótica, natural do leste da América do Norte, um género de plantas com flor pertencente à família Magnoliaceae, que está associada à aristocracia nortenha na região do Minho, que fomentou a sua implantação no território. Com esta ancestralidade só existem em Portugal três exemplares, um no Porto e dois na cidade de Braga, um no jardim da Casa do Passadiço e o já citado exemplar nos Biscainhos.

 Associada a um dos mais relevantes exemplares da arquitetura civil bracarense, esta árvore encontra-se implantada num dos mais importantes jardins barrocos portugueses. No ano em que celebramos especialmente André Soares, artista que deixou a sua marca bem vincada no mesmo jardim, podemos certamente afirmar que terá contemplado o jovem tulipeiro da Virgínia que hoje podemos admirar.

Esta árvore, que marca indelevelmente a paisagem do coração braguês, é uma das árvores finalistas para representar Portugal no concurso europeu “Tree of the Year 2021” (Árvore do ano 2021).

A nível nacional, o concurso é organizado pela União da Floresta Mediterrânica, que habilita a árvore portuguesa vencedora a concorrer à votação para a Árvore Europeia do Ano. O concurso da Árvore Europeia do Ano surgiu em 2011 e foi inspirado num popular concurso organizado pela República Checa. Desde então, o número de países envolvidos nesta competição tem vindo a aumentar, sendo o concurso europeu constituído pelos vencedores dos diferentes concursos nacionais.

O concurso pretende destacar a importância das árvores antigas na herança cultural e natural, não se focando apenas na beleza, no tamanho ou na idade da árvore, mas sim na sua relação com a comunidade. A votação online decorre até 23 de novembro em https://portugal.treeoftheyear.eu/Vote. Todos os bracarenses estão, pois, convocados para ajudar a fazer do Tulipeiro dos Biscainhos a Árvore Europeia do Ano.

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

+ PATRIMÓNIO :: Percursos Brácaros: Azulejos de São Victor

 
As associações Braga + e JovemCoop vão retomar a segunda série dos Percursos Brácaros, promovendo mais um ciclo de visitas guiadas digitais ao Património bracarense

Este ciclo inicia-se no próximo sábado, 24 de Outubro, com uma visita guiada digital aos azulejos da Igreja de São Victor, um dos mais espetaculares legados do Barroco na cidade de Braga.

Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a colaboração da Paróquia de São Victor, decorre a partir das 10h30, podendo ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook. O horário da atividade fica condicionado à possibilidade da existência de cerimónias religiosas excecionais. 

No renovado templo de S. Victor, Gabriel del Barco haveria de elaborar um dos mais importantes conjuntos de azulejaria barroca existente em território nacional e, quiçá, o primeiro conjunto de azulejos azuis e brancos com esta dimensão executado em Portugal. O contrato foi assinado a 26 de Abril de 1692 e a colocação dos azulejos deverá ter sido concretizada nos dois anos seguintes. Este ambicioso conjunto azulejar, que deveria recobrir todas as paredes do templo, conta-nos um pedaço da história de Braga e dos seus veneráveis santos.

Este segundo ciclo de Percursos Brácaros é uma forma de ambas as associações manterem a sua atividade, perante a situação pandémica, que teima em não amenizar os seus efeitos.

8.º Aniversário da Braga Mais


«Uma comunidade sem alma, sem memória e sem história não sobrevive ao futuro e está condenada a circular como diletante pelos caminhos do mundo, sem transportar horizonte e desprovida de qualquer anseio. Não queremos isso para Braga! Estamos certos que a nossa palavra e intervenção serão agentes efectivos de sensibilização e mudança. Seremos intérpretes inegáveis de uma geração cada vez mais consciente da valia do seu passado, que aspira a mais, e que sabe que pode alcançar esse mais com o seu esforço e empenho.»


Apresentação pública da Associação Braga Mais,
Torre de Menagem
21 de Outubro de 2012

sábado, 12 de setembro de 2020

+ CIDADANIA: Por uma Reforma da Toponímia

A toponímia tem a sua origem etimológica na junção de dois vocábulos gregos, que significam “o nome do lugar”. A designação toponímica assume especial relevância na preservação da memória e identidade das comunidades, perpetuando personalidades, datas ou factos.

O topónimo também nos permite perceber a evolução histórica do lugar e as pessoas que aí tiveram a sua morada ou desempenhavam o seu ofício. Isto particularmente se aplica às ruas mais antigas de um determinado núcleo urbano.

A mudança de regimes políticos também aparece refletida na toponímia. Procurando, por um lado, apagar as denominações associadas ao regime anterior, e por outro exaltar o neófito regime. Estas alterações, levadas a efeito, muitas vezes, com fervor excessivo, contribuíram para a ausência de critérios objetivos e distância crítica. Assim sucedeu na cidade de Braga em diversos momentos. Recordemos o caso da rua do Souto, que chegou a designar-se rua Rodrigues de Carvalho ou da rua dos Capelistas que se a chamou de rua Conde de Paçô Vieira. Uma Reforma Toponímica, promovida em 1942, acabou por corrigir alguns dos excessos cometidos ainda no período monárquico, devolvendo os primitivos topónimos a algumas das ruas, que os bracarenses continuavam chamar pelo seu nome original.

A toponímia não deve ser uma mera opção administrativa, nem o somatório arbitrário de conjunturas políticas ou caprichos pessoais. Deve, sim, obedecer a um código de ponderação e uma certa racionalidade. Para que serve a toponímia senão para verter um dispositivo identitário atrás de si, remetendo para a história dos lugares, mas também homenageando factos e personalidades de relevância, primordialmente, local. Se as cidades não souberem ressaltar a sua própria memória coletiva, quem o fará?

É estranho que numa cidade onde prevalecem no entendimento comum topónimos como “Campo da Vinha”, “Largo das Latinhas”, “rua da Cónega” ou “Pelames”, insistamos nas designações que, em algum momento, a edilidade deliberou alterar. Nada me opõe ao Monsenhor Airosa ou ao Conde de Agrolongo, dado que ambos justificam plenamente figurar na toponímia bracarense, mas teria que ser à custa de nomes tão significantes para a cidade?

Por que não o regresso aos topónimos originais de algumas ruas, tal como foi feito, com relativa eficácia, em 1942? Porque não chamar Campo Novo à Praça Mouzinho de Albuquerque ou rua da Cónega à rua da Boavista? Não é esse o patente desejo dos bracarenses e um traço que remete para a própria história dos lugares?

Uma solução adotada por algumas cidades foi colocar a designação oficial acompanhada de uma alusão ao topónimo original. Também seria uma boa solução, todavia, em alguns casos, parece óbvia a opção pelo simples regresso à designação original, tal o grau de apropriação dos cidadãos em relação à primitiva denominação. O Campo da Vinha é assim designado desde o século XVI. O seu nome foi alterado duas vezes desde 1865 e os bracarenses continuam a conhecê-lo pelo seu topónimo original.

Outra questão que a toponímia levanta é o critério de atribuição dos novos topónimos. Quantos bracarenses saberão quem foi António Macedo ou o que fez para merecer ter o seu nome na avenida mais extensa da cidade? E qual a relevância para Braga do rei D. João II ou do literato Antero de Quental, dado que ambos designam duas das maiores artérias da cidade?

Pessoalmente não entendo como uma figura histórica com a relevância do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles não foi escolhido como topónimo dessas novas ruas surgidas nas décadas mais recentes. É verdade que já se encontra na toponímia de duas ruas secundárias em freguesias periurbanas, mas não justificaria maior distinção? E a ausência de referências aos Suevos, que fizeram de Braga a capital do seu reino ibérico?

Quando falamos da toponímia uma outra problemática se levanta: as placas toponímicas, dado que passou a ser tutelada pelas juntas de freguesia. Nos municípios em que os regulamentos de toponímia não especificam um normativo a este propósito, as ruas tornam-se num verdadeiro depósito de estéticas, brasões e variações cromáticas.

Sabemos que hodiernamente, a designação toponímica se encontra numa fase de certa ataraxia. A cidade de Braga alargou-se imenso nas últimas décadas, refletindo-se na criação de novos arruamentos. No entanto, devido à existência de muitos espaços por urbanizar, têm sido mais escassas as propostas toponímicas que têm surgido. Essa circunstância deve obrigar a um critério apertado no que concerne à atribuição de novos topónimos, mas também poderia inaugurar a atribuição de topónimos a outros espaços anónimos, como os jardins ou rotundas.

A realização de uma Reforma da Toponímia, acompanhada pela criação de uma Comissão onde se reunisse um conjunto de pessoas no qual, além dos políticos responsáveis, teriam assento bracarenses que pensam e aprofundam a memória e identidade da cidade, aparece como uma possibilidade que poderia conferir maior sentido à toponímia bracarense, retificando alguns lapsos cometidos na história mais recente da nossa cidade.

 

 Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

+ PATRIMÓNIO: Percurso Brácaro Especial - Recolhimento das Convertidas

A JovemCoop completa neste mês de agosto mais um aniversário. Por isso mesmo, as associações Braga + e JovemCoop vão realizar um Percurso Brácaro Especial com uma visita guiada digital ao Recolhimento das Convertidas. Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com os Amigos das Convertidas, decorre este sábado,15 de Agosto, a partir das 10h30, com o propósito de dar a conhecer um lugar do património bracarense que é especial para a nossa associação. A visita pode ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook.

O Recolhimento de Santa Maria Madalena e São Gonçalo, mais conhecido como “Convertidas”, foi uma instituição de cariz assistencial fundada pelo Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles em 1720 sobre uma antiga ermida dedicada aos santos Bartolomeu e Gonçalo. Edifício barroco com a fisionomia de um convento, destinava-se a dar abrigo a «mulheres convertidas a Deus por livre vontade, arrependidas do coração e de seus erros», abrindo as portas a 22 ou 25 de abril de 1722.
Espaço de oração, trabalho e penitência para um número variável de duas a quatro dezenas de recolhidas, funcionava como uma comunidade religiosa, embora as motivações para as entradas fossem diversas. As expulsões e fugas eram frequentes. Com regente e capelão, a instituição viu revista a sua missão em sucessivas ocasiões, mantendo, todavia, o seu âmbito assistencial junto da população feminina.
Desde 1884 sob a alçada do Governo Civil, fechou as portas em 1999 devido ao estado de degradação em que se encontrava. Em 2012 foi classificado como Monumento de Interesse Público e em 2014 foi preservado e inventariado todo o seu espólio.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

+ PATRIMÓNIO: Percursos Brácaros - Falperra

As associações Braga + e JovemCoop vão terminar esta série de Percursos Brácaros com uma visita guiada digital à Falperra, nomeadamente às capelas de Santa Marta do Leão e da Capela de Santa Maria Madalena. Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a Irmandade da Falperra, decorre este sábado, 25 de Julho, a partir das 10h30, com o propósito de dar a conhecer um lugar de património e celebração para todos os bracarenses, que coincide com a data da sua habitual romaria. A visita pode ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook.
Tal como é usual na tradição cristã do Entre Douro e Minho, os pontos mais elevados desta montanha acolheram, desde cedo, lugares de culto. A devoção a Santa Marta foi instaurada no monte das Cortiças e, mais tarde e por influência deste, no seu sopé. Também Maria Madalena, que uma das tradições hagiográficas cristãs aponta como sendo irmã de Marta, viu surgir numa vertente oposta da Falperra – mais propriamente na base do Monte Frio - o seu espaço de culto, que seria redesenhado por André Soares em meados do século XVIII. Com esta visita guiada, as duas associações continuam a dar preferência ao legado de André Soares, associando-se às comemorações dos 300 anos do nascimento do artista bracarense.