sexta-feira, 21 de abril de 2023

MEMÓRIAS DE BRAGA: Livraria Cruz

A Associação Braga + promove no próxima quinta-feira, dia 27 de abril, pelas 18h00, mais uma sessão do ciclo Memórias de Braga, que se vai debruçar sobre a Livraria Cruz, histórico estabelecimento bracarense, que existiu entre 1888 e 1996.

Esta sessão evocativa, que se realiza no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, terá como convidados Luísa Braga da Cruz, familiar do fundador e proprietários, e também do investigador bracarense Rui Ferreira.

A Livraria Cruz foi fundada em 1888 com o nome de Livraria Escolar – Cruz & Companhia pelo professor e pedagogo do ensino suplementar José António da Cruz, nascido a 27 de abril de 1859 na Freguesia e Couto de Vimieiro, tendo casado a 13 de abril de 1885 com Emília Rosa Braga da Cruz, na Igreja de Maximinos. José António da Cruz, constituiu sociedade com o seu amigo João Correia Forte a 19 de abril de 1888, na Rua Nova de Sousa. Dedicou-se à Livraria e ao comércio de livros destinados ao ensino primário, porque havia uma grande falta dos mesmos no ensino Primário Geral. Na época, porém, eram adotadas apenas as Cartilhas do ABC e a do Abade de Salamonde.

Com as suas relações pessoais, consegue entrar em contacto com o meio cultural de Coimbra, de que se destacam os nomes dos Professores Doutores Francisco José de Sousa Gomes, Gonçalves Guimarães, Souto Rodrigues, Bernardo Aires, Anselmo Ferraz de Guimarães, Eusébio Tamagnini, Diogo Pacheco de Amorim, entre muitos outros.

A Livraria Cruz orgulha-se das sua obras editoriais e de grande singularidade no nosso país, tendo algumas constituído verdadeiros êxitos muitas gerações de estudantes, associadas a grandes escritores portugueses do século XVIII- XX, tais como Contos Lendas e Narrativas, Frei Luis de Sousa, Auto da Alma de Pe. António Vieira, Júlio de Moraes, Saavedra Machado. A. Correia de Oliveira, Dr. José Vicente Gonçalves, António Palma Fernandes e outros.

Em 1996, a Livraria Cruz acabaria por encerrar, sendo o estabelecimento ocupado pelo grupo Bertrand até encerrar definitivamente em 2004.

Além desta iniciativa, em parceria com a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, decorre, entre 15 de abril e 3 de maio, uma exposição bibliográfica sobre a Livraria Cruz, organizada por Fernando Mendes, dirigente da Braga +.

Recorde-se que o ciclo Memórias de Braga realiza-se, com constância bimestral. Cada conversa, que se quer informal, anda à volta de um ou mais convidados. O objetivo é mesmo o de conversar, público e convidados, no sentido de partilhar e construir memórias sobre a cidade.

sábado, 1 de abril de 2023

+ PATRIMÓNIO: Visita Guiada à Zona Ribeirinha de Braga

 

O rio Este apenas no último quarto de século foi plenamente integrado na área urbana de Braga, porém a ocupação humana nas suas margens é quase tão antiga como a própria cidade. É precisamente nesta área, a que chamamos zona ribeirinha, que vão surgir interessantes áreas habitacionais onde a história e o património se encontram.

Por isso mesmo, a associação Braga +, em parceria com a União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, organiza, no próximo dia 15 de abril, sábado, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita percorrendo a Zona Ribeirinha de Braga. 

Os Galos, as Latinhas ou os Pelames são alguns dos lugares de um percurso que conta com passagens pela Capela de Santa Justa, S. João da Ponte ou Santo Adrião, bem como pelas Fontes dos Galos e dos Namorados.

 Este percurso, que tem início marcado para as 10h00 junto à Ponte dos Pelames, terá a duração de duas horas e será orientado por Rui Ferreira.  

A participação é livre, não exigindo inscrição prévia. 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

+ CIDADANIA: Uma cidade em estado de emergência

 


Devido à situação pandémica em que a nossa sociedade se viu recentemente mergulhada, fomos obrigados a confrontar-nos com sucessivos estados de emergência, que alteraram sobremaneira o nosso quotidiano e nos fizeram viver num regime de exceção. Um estado de emergência é, segundo a Constituição Portuguesa, declarado quando se verifiquem situações em que “ameacem verificar-se casos de calamidade pública”.

Nos últimos meses tem-se tornado evidente o estado de degradação e desmazelo da cidade de Braga, nomeadamente no que se refere ao seu espaço público. As ruas aparecem ineditamente esburacadas, muitas calçadas desmanteladas, espaços verdes com uma declarada falta de manutenção, muitas árvores cortadas com insuficiente justificação e, de forma reiterada, os contentores de lixo e reciclagem vão aparecendo sobrelotados. 

Não sabemos de isto será suficiente para falarmos de calamidade pública ou se exibe os requisitos mínimos para uma declaração do estado de emergência, no entanto, exigirá seguramente uma profunda reflexão da comunidade bracarense. Se adicionarmos a esta evidente incúria na gestão do espaço público, o trânsito caótico em certos horários, a crescente insegurança de peões e motociclistas, ou a constante limitação de acesso às nossas moradas por causa de eventos desportivos recorrentes, talvez possamos tecer melhores fundamentos para esta situação.

Quantas vezes já não descemos à rua com o saco do lixo e tivemos que voltar para casa, porque o contentor - o anunciado sistema moderno e inovador - se encontra a abarrotar de dejetos? Não nos terá acontecido alguma vez termos descido com o lixo reciclável, para civicamente o depositarmos no respetivo contentor, e fomos impedidos de o fazer, não nos restando alternativa senão invertermos o nosso percurso ou depositarmos no contentor do lixo orgânico, isto se não estiver também repleto?

Não nos teremos deparado também com agentes da Polícia Municipal a autuar veículos estacionados nos lugares indevidos num domingo de manhã, precisamente naquelas urbanizações em que foram efetuadas intervenções que só vieram complicar a vida dos seus moradores, quando nos deparamos com inúmeras situações que condicionam severamente o trânsito nos dias úteis, sem que haja lugar a qualquer intervenção das autoridades?

E como não comentar essa enfermidade que tanto tem abalado as árvores que tiveram a desdita de ser implantadas no espaço público de Braga, que tem justificado o abate desenfreado de centenas de árvores. O temor – meramente particular e individual - de que uma árvore possa cair novamente em cima de uma pessoa, poderá legitimar esta autêntica desflorestação urbana?

Todos os bracarenses certamente já terão deparado com as esburacadas ruas da nossa cidade, consequência certamente das condições atmosféricas do último outono, mas resultado maior da ausência da devida manutenção dos pavimentos da parte das entidades públicas. Tudo isto sucedeu porque, em vez de efetuar a regular substituição e manutenção dos pavimentos, preferimos financiar ambiciosos planos de comunicação mediática, muitas vezes implementada por motivações meramente individuais, ou despender recursos em eventos com orçamentos megalómanos, que nada contribuem para a identidade da comunidade.

Também na nossa cidade de Braga vamos permitindo a destruição dos quarteirões do centro histórico, ao arrepio do que outras cidades bem próximas de nós  vão regulamentando, aumentando brutalmente a impermeabilização dos solos e incrementando o risco de inundações a médio e longo prazo, as mesmas que já crescentemente nos abalam.

O mais surpreendente desta situação de emergência é verificarmos a aparente letargia e conformismo de muitos bracarenses, em particular daqueles que assumiram a representação da comunidade como sua missão. Convém recordar que aqueles que são eleitos em sufrágios eleitorais, independentemente de desfrutarem de funções executivas, assumiram um compromisso com a comunidade, que não se pode manifestar de forma declarada apenas a seis meses dos atos eleitorais.

Cumprindo a sua missão de Cidadania, a Braga Mais continuará atente e a fazer valer a sua voz no seio da comunidade bracarense.

 

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

+ PATRIMÓNIO: Percurso Solidário Natalício pela Cidadela Medieval

As associações Braga + e JovemCoop organizam, no próximo sábado, dia 17 de Dezembro, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita pelos vestígios da Cidadela Medieval. 

Esta iniciativa, que tem um cariz solidário, tem início marcado para as 10h00, no Arco da Porta Nova.

O objetivo desta visita guiada é percorrer todas as oito portas e torreões que constituíam o perímetro medieval bracarense, que contava com sensivelmente 1.300 metros de comprimento. O castelo de Braga e os panos de muralha ainda subsistentes serão também abordados durante esta visita.

O percurso vai contar ainda com passagens junto à Torre de Menagem, Torre da Porta Nova e antigo Paço dos Arcebispos. Integrado no programa desta manhã cultural está também a visita ao pelourinho de Braga, o monumento nacional mais desconhecido dos bracarenses.

Esta iniciativa tem um teor solidário, já que os participantes são convidados a trazer garrafas de azeite, que serão posteriormente doadas à Comissão Social de S. Victor com o intuito de compor os cabazes de Natal que são entregues às famílias mais carenciadas. Trata-se de uma forma das associações se agregarem à Missão Põe Azeite 2022 que tem sido levada a cabo pelo Grupo Coral de Guadalupe.

Quem não puder participar, poderá também contribuir com uma garrafa de azeite, entregando na Junta de Freguesia de São Victor ou entrando em contacto com a JovemCoop, que se disponibiliza para fazer a recolha. Também poderá contribuir através de MBWay (91934796), considerando o valor de 1 garrafa de azeite igual a 3 euros.

Contando com a colaboração da Junta de Freguesia de São Victor e da União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, a participação neste percurso solidário é livre, não necessitando de inscrição prévia.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

MEMÓRIAS DE BRAGA: Júlio d'Amorim Lima

 

A Associação Braga + promove no próxima quarta-feira, dia 9 de novembro, pelas 21h00, mais uma sessão do ciclo Memórias de Braga, que se vai debruçar sobre o benemérito bracarense Júlio d’Amorim Lima.

Esta sessão evocativa, que se realiza no auditório da Escola Secundária Sá de Miranda, terá como convidados os investigadores bracarenses Domingos Alves e Rui Ferreira, contando com a participação e colaboração do grupo informal dos Amigos do Palacete Júlio de Lima.

Todas as comunidades exibem os seus beneméritos, personalidades de singulares méritos, que deixaram a sua ação gravada na posteridade. Também a cidade de Braga patenteia um significativo rol de ínclitas personalidades, cujo nome jamais poderá cair no ingrato oblívio do tempo. Um desses nomes é inevitavelmente o de Júlio d’Amorim Lima.

Reconhecido, no seu tempo, como benemérito, “na aceção mais grandiosa do termo”, seria considerado pelos bracarenses como “benemérito dos pobres”, a quem socorria largamente e, particularmente, como “benemérito de Braga”, tendo-se associado aos grandes projetos que a cidade emanava e também a muitas das suas instituições.

Sensivelmente a meio da rua de S. Vicente vemos surgir uma imponente rua, batizada com o nome do seu mentor: Júlio d’Amorim Lima. Após construir a sua residência nos alvores do século XX, atualmente em estado de degradação, o abastado industrial projetou abrir a uma rua defronte da sua casa. 

Tanto o seu palacete, como a nova artéria foram desenhados integralmente pelo arquiteto Moura Coutinho. Os edifícios do lado poente, mais adornados e imponentes, datam dos primeiros anos da década de 1920. Por sua vez, as edificações do lado oposto foram construídas na década seguinte, tendo sido malogradamente destruídos em 2020.

Recorde-se que o ciclo Memórias de Braga realiza-se, com constância bimestral. Cada conversa, que se quer informal, anda à volta de um ou mais convidados. O objetivo é mesmo o de conversar, público e convidados, no sentido de partilhar e construir memórias sobre a cidade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

+ PATRIMÓNIO: Visita Guiada às Portas de Braga

 


A Associação Braga Mais organiza, na manhã do próximo sábado, dia 15 de outubro, uma visita guiada às Portas de Braga. Esta iniciativa, que se integra nas comemorações do 10.º aniversário da associação, tem como ponto de partida o Arco da Porta Nova, pelas 10h00.

O objetivo desta iniciativa é, não apenas explorar a temática das portas na identidade bracarense, mas percorrer as portas mais emblemáticas do património cultural da cidade de Braga, como é o caso da românica Porta do Sol, da antiga porta da Capela de Santana, da porta desenhada por André Soares para a Igreja da Ordem Terceira ou da única porta das muralhas medievais ainda subsistente, embora dissimulada no torreão onde se integra.

Este percurso temático conta também com passagens por uma inédita porta desenhada por Moura Coutinho na tua dos Capelistas e também pela porta de um dos muitos sacrários dos templos bracarenses, que poderá ser vislumbrada no Recolhimento das Convertidas, que se destaca pela peculiaridade da sua iconografia.

Esta visita guiada será complementada com uma exposição de fotografias da autoria de Diogo Vieira, que decorrerá no auditório da Junta de Freguesia de São Victor, cuja inauguração está prevista para o final da visita guiada.

O objetivo do projeto “Portas de Braga”, no qual poderão vir a inserir-se outras iniciativas, é alertas os bracarenses para a valia patrimonial das suas portas, não apenas as mais emblemáticas ou monumentais, mas principalmente os elementos em ferro forjado e vidro, frequentemente desperdiçados em obras de reconstrução ou reabilitação.

No final desta iniciativa terá lugar um almoço de confraternização, assinalando o 10.º aniversário da Braga Mais, no restaurante Relento. Quem pretender inscrever-se pode fazê-lo através do email associacaobragamais@gmail.com até ao dia 12 de outubro.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

MEMÓRIAS DE BRAGA: Rádios Piratas de Braga

 


A Associação Braga + promove no próximo dia 23 de setembro, pelas 21h30, mais uma sessão do ciclo Memórias de Braga, que se vai debruçar sobre as Rádios Piratas de Braga.

Esta sessão evocativa, que se realiza na Junta de Freguesia de São Victor, terá como convidados Secundino Cunha, Paulo Sousa e Tony R. A moderação estará a cargo de Rui Ferreira.

As primeiras experiências de radiodifusão foram realizadas por Marconi em 1894, remontando a 1923 a sua introdução em Portugal, com a Sociedade Portuguesa de Amadores de Telefonia sem Fio.

O historial das rádios na cidade de Braga é vasto, nomeadamente após a liberalização das emissões a partir de 1974. Além dos rádios piratas, nos anais bracarenses contam-se a Rádio Baixo (1985), a Rádio 2000 (1985), Rádio Braga (1985), a Rádio Tadim (1986), a Rádio Planeta, Rádio São Mamede (1986), a Rádio Universitária (1989), a Rádio Clube do Minho (1986) e a Rádio Televisão do Minho (1987). Funcionando inicialmente com um locutor amador, dois pratos, uma pequena mesa de mistura, gravador/leitor de cassetes, telefone, estas rádios foram a escola que criou muitos profissionais que hoje estão nas grandes estações da rede nacional.

Recorde-se que o ciclo “Memórias de Braga” realiza-se, com constância bimestral. Cada conversa, que se quer informal, anda à volta de um ou mais convidados. O objetivo é mesmo o de conversar, público e convidados, no sentido de partilhar e construir memórias sobre a cidade.