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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

+ PATRIMÓNIO: visita à Capela de S. Miguel-o-Anjo

 A Braga + promove este sábado uma visita guiada à capela de S. Miguel-o-Anjo com o propósito de sensibilizar os bracarenses para o atual estado de degradação em que se encontra.
A visita à capela coincide propositadamente com as festividades em honra de S. Miguel, cujo dia litúrgico se assinala anualmente a 29 de setembro.
Recorde-se que a paróquia de Maximinos, detentora do imóvel, tem vindo a alertar para a necessidade de reabilitar a capela de S. Miguel-o-Anjo. Para além da necessária substituição do telhado, tem a sua abóbada em risco iminente de desabar, pelo que a mesma se encontra atualmente vedada.
A Braga + pretende com esta iniciativa alertar a sociedade civil e os decisores políticos para a urgência de uma intervenção nesta capela, dado tratar-se de um exemplar patrimonial de grande valor no contexto da arquitetura tardo barroca bracarense.
A visita guiada decorre a partir das 10h00 deste sábado, 28 de setembro, não necessitando de qualquer inscrição prévia.
A capela de São Miguel-o-Anjo será um dos mais desconhecidos templos bracarenses. Localizada na freguesia de Maximinos, muito próxima da estação, resulta da transferência de uma antiquíssima capela que existia junto à porta da Ajuda, no local de passagem das Carvalheiras para o Campo das Hortas. Desmantelada no último quartel do século XIX, foi transferida para o atual local, juntamente com os retábulos da autoria de André Soares.
Esta capela era o local onde tradicionalmente os arcebispos se paramentavam para fazer a sua entrada solene na Sé.

domingo, 7 de abril de 2013

+ CULTURA: a porta rococó do antigo Paço Arquiepiscopal

Postal da Praça do Município nos finais do século XIX, percebendo-se, ao fundo, a igreja do Paço

Porta rococó da igreja do Paço (à esquerda), colocada junto à Biblioteca depois de 1921
Restos da porta rococó colocados no estacionamento da CMB, após serem retirados do Parque da Ponte em 2009
A igreja do Paço foi mandada construir pelo Arcebispo D. José de Bragança, aquando da edificação do seu novo palácio voltado à praça do Município. Provavelmente encomendada também a André Soares, como deixa entrever o traço do pórtico deste templo. Desmantelada em 1921, sem motivo aparente (republicanos anti-clericais...), dado que não foi afectado pelo grande incêndio de 1866, a igreja tinha torre sineira e uma interessante cúpula octogonal, rara na arquitectura religiosa bracarense.
A porta desta malograda igreja foi colocada no muro que delimitava a Biblioteca Pública, após o restauro levado a cabo pelo Estado Novo na década de 30. Possivelmente, para abrir a actual rua Eça de Queiroz, a porta foi desmontada e levada para o parque da Ponte.
Durante anos me habituei a ver estas elegantes pedras na zona interior do parque, sem nunca perceber o que ali faziam ou de onde provinham. Em 2009, após as obras de remodelação do parque, estas pedras foram levadas para o parque de estacionamento do Pópulo.

Não seria possível recolocar esta interessante porta rococó num espaço nobre da cidade? Ou, então, colocá-la novamente no parque da Ponte, talvez montada e com um painel interpretativo a recordar este monumento desaparecido de Braga?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A antiga Saboaria e Perfumaria Confiança

A fábrica Confiança poderá vir a ser um grande polo cultural de Braga
A Perfumaria e Saboaria Confiança foi fundada a 12 de Outubro de 1894, tendo sido seus mentores Rosalvo da Silva Almeida e Manuel dos Santos Pereira, com a firma “Silva Almeida & C.ª”. O capital inicial era de 10 contos de reis, tendo a fábrica ocupado inicialmente o espaço de uma pequena oficina, no mesmo lugar onde se ergue ainda hoje o edifício da rua Nova de Santa Cruz. A média de produção inicial situava-se na ordem de mil caixas de sabão por mês.
Inicialmente a fábrica não contava ainda com mão-de-obra especializada, o que dificultava a evolução da sua eficácia produtiva. Entretanto, e na altura em que o capitalista Domingos José Afonso se juntou ao projecto, em 1898, elevou-se o capital da empresa e foram adquiridas novas máquinas para o fabrico do sabão. Devido a problemas económicos, a 18 de Fevereiro de 1910 o capital evolui e é um período de grande crescimento da fábrica, que coincide com os anos da 1.ª Grande Guerra, aproveitando o espaço de exportação concedido pelas indústrias paralisadas dos países onde decorria o conflito. É nesta altura que se constrói o novo edifício da fábrica, que corresponde em parte ao que actualmente existe. Entretanto vai beneficiar de prémios e reconhecimento nacional, que vão impulsionar a sua produção e divulgar o seu nome no mercado.
 Em 1920 o capital evoluiu para 1.200 contos, podendo elevar-se até 2 mil contos se as necessidades o justificarem. A fábrica teria então cerca de 80 funcionários, que ganhariam anualmente cerca de 200 contos, oferecendo a empresa apoio médico aos funcionários e família, para além de outras regalias, hoje básicas, mas outrora ainda não consignadas nos direitos do trabalhador. Foi também por esta altura que a empresa adoptou pela primeira vez a designação de “Perfumaria e Saboaria Confiança”. Em 1923 a empresa já produzia cerca de 8 mil caixas de sabão mensais, calculando-se que servisse metade do consumo de sabonetes do total da população portuguesa. O objectivo nesta data passava por aperfeiçoar os produtos, tentando responder ao nível de qualidade existente nos produtos da indústria estrangeira.
A Saboaria e Perfumaria Confiança é um caso de notório sucesso entre os empreendimentos industriais da cidade de Braga ao longo da primeira metade do século XX. É certo que, analisando, as indústrias que preencheram o tecido empresarial bracarense ao longo das últimas três décadas, seremos obrigados a relativizar a dimensão da Confiança, dado ser inferior em produção, número de funcionários e volume de negócios. Todavia, percebendo o contexto histórico em que surgiu, a demografia da própria cidade nessa época, e salientando o facto de ser uma empresa detida por bracarenses, seremos obrigados a reconhecer o seu papel fundamental no desenvolvimento de Braga e o seu impacto na vida de uma das freguesias urbanas mais importantes do tecido urbano.
Os mercados principais do sabão eram as regiões circundantes: o Minho, Trás-os-Montes e o Douro. Já o mercado dos sabonetes seguia para todos os lugares do país. África, outrora destino preferencial, acabava por se ver afectada pela situação económica e pelo elevado valor das taxas que impedia a empresa de concorrer com produtos mais baratos.
A década de 50 e 60 foi talvez a época mais próspera da empresa, que dominava o comércio de sabonetes em Portugal. Produziam-se então mensalmente cerca de 3 milhões de dúzias de sabonetes, fornecendo não apenas o comércio a retalho, mas também hotéis e outras empresas que requeriam fabrico próprio. Outros produtos, como perfumes, pó de arroz, cremes, pastas dentífricas, stiques de barbear, águas-de-colónia, loções e essências, foram preenchendo certos nichos de mercado e garantindo a produtividade desta unidade fabril.
Nos anos 80 a Confiança começa a desenvolver novos cosméticos, adaptando fórmulas e oferecendo outras novas, em especial nas formas líquidas de gel de banho e champôs perfumados, como resposta aos novos estilos de vida que se começam a impor e ao pedido incessante de novos produtos por parte dos seus clientes.
Com a crescente liberalização do mercado no espaço europeu, acrescentado ao desinvestimento tecnológico das novas administrações da empresa, a produtividade foi reduzindo o seu volume, sendo a fábrica comprada pela Ach Brito em 2009, abandonando as históricas instalações.
Actualmente ainda são produzidos artigos com a marca Confiança, que são depois vendidos no denominado mercado de charme, como produtos de alto nível. Estes artigos, produzidos parcialmente numa pequena unidade fabril em Sobreposta (Braga), recuperam o rico espólio tipográfico das embalagens da fábrica bracarense.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Proposta de classificação da igreja de Santa Cruz


A Braga + apresentou no passado sábado, dia 1 de dezembro, a sua proposta de classificação da igreja de Santa Cruz. Trata-se da primeira iniciativa deste género que a associação vai levar a cabo, no sentido de garantir protecção legal aos monumentos ainda desprotegidos da cidade de Braga. 
Este templo, que é um dos mais admirados (e fotografados) por quem nos visita, pertence à Irmandade de Santa Cruz e é, indubitavelmente, um dos mais imponentes do centro histórico bracarense. Apesar de se encontrar num excelente estado de conservação, surpreende que ainda não esteja classificado, por exemplo, como monumento de interesse público.
Recorde-se que, desde 2001, altura em que foi aprovada a Lei de Bases do Património, qualquer cidadão pode levar a cabo uma proposta de classificação, desde que devidamente preenchido o formulário disponibilizado pela recém criada Direcção Geral do Património Cultural.


 "A Cruz é um símbolo inevitável do cristianismo e, por isso, repetidamente usado como figura primordial de inspiração no campo artístico. A Igreja de Santa Cruz de Braga apresenta uma profunda intimidade com toda a simbologia da Paixão e morte de Jesus, estando a sua estrutura arquitectónica e decorativa ligada aos símbolos ressaltados nos relatos dos Evangelhos. Tanto a fachada como o interior obedecem a uma rígida uniformidade simbólica. Construída em diversas fases, entre o ano de 1617 e 1736, o templo apresenta uma interessante perspectiva da dimensão simbólica e iconográfica do barroco, aplicada à arquitectura religiosa. A tese que aponta o trabalho do italiano Carlos António Leone, com uma alteração paradigmática na arquitectura religiosa bracarense, poderá ser plausível ao observar as inovações decorativas introduzidas na fachada desta igreja. A conciliação de um maneirismo do período final, com um barroco precursor da obra de André Soares em Braga, é outro elemento a ressaltar. No interior impera o denominado período nacional, manifestado esplendorosamente na talha dourada dos retábulos. A Capela-Mor, bem como o destacado sanefão que recobre o arco-cruzeiro, saíram das mãos de Frei José Vilaça, e apresentam um traço nitidamente rococó. A par do Bom Jesus do Monte, a Igreja de Santa Cruz apresenta-se como uma obra de referência na dimensão iconográfica da Paixão de Cristo. A especulativa tese que aborda o denominado barroco bracarense como ontologicamente corroborado, encontra na Igreja de Santa Cruz uma base e fundamento."
(Do Formulário de instrução do processo de classificação)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Proposta de classificação da Igreja de Santa Cruz

Este sábado, dia 1 de dezembro pelas 11h, a associação Braga+ apresentará a proposta de classificação da Igreja de Santa Cruz. 

Convidamos todos os cidadãos interessados, a juntarem-se à associação na defesa e salvaguarda do nosso património.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Casa das Convertidas - Imóvel de Interesse Público

Diário da República, 2ª Série, 07/11/2012

Vem hoje publicado no Diário da República a classificação final do Recolhimento de Santa Maria Madalena/Casa das Convertidas como Imóvel de Interesse Público.

Esta classificação vem acompanhada pela instituição de uma Zona Especial de Protecção considerável, que vai desde o topo sul do Campo Novo até ao extremo Sul da Av.Central e, sensivelmente, do Centro Comercial Lafayette até ao Parque de Guadalupe.

Isto são excelentes notícias tendo em conta que a Casa das Convertidas está bastante degradada e a necessitar de urgente intervenção, pelo que se espera que agora que será oficializada como Monumento, possa centrar mais cuidados por parte dos orgãos de gestão competentes.

É feliz motivo, também, porque garante a traça arquitectónica do corrente nascente da Casa das Convertidas, que tem sido alvo de especulação imobiliária, temendo-se projectos megalómanos e desvirtuadores daquela composição.

São, ainda, boas notícias, porque se a CMB licenciar algum projecto para a área de logradouro dos edifícios a nascente da Casa das Convertidas, isso irá requerer um estudo arqueológico de uma zona que é pouco ou nada conhecida.

Mas a nossa atenção vai, sobretudo, para o avançado estado de degradação da Casa, situação que temos vindo a denunciar. As nossas preocupações, além da queda de rebocos e de telhas, vai agora para a parte cimeira do brasão de Sta Maria Madalena que está a colapsar, devido à abertura de grandes fendas, situação agravada com a trepidação das obras do programa "A Regenerar Braga". Esta situação pode conduzir à ruptura do andar de cima do imóvel, bem como coloca em risco a segurança dos transeuntes.

A partir de hoje Braga possui mais um monumento, garantia dada pelo selo de qualidade que é esta classificação. Contudo, a classificação não é um garante da salvaguarda total, pelo que manter-nos-emos atentos, sobretudo nesta altura em que o Ministério da Administração Interna pretende colocar ali os serviços de estrangeiros e fronteiras e uma delegação da protecção civil.

Coincidentemente, no próximo dia 23 de Novembro, a Braga+ e a JovemCoop promoverão um debate público sobre "reconverter as Convertidas", possibilitando auscultar várias ideias e aproximando os cidadãos do património e partilhando destinos a dar a este imóvel.

Esta é uma excelente notícia, uma verdadeira prenda natalícia adiantada para a cidade de Braga!