quarta-feira, 9 de setembro de 2026

+ CIDADANIA: MUZEU: o auge do mecenato bracarense

 

A palavra mecenas, que define as pessoas e entidades que incentivam e patrocinam atividades artísticas e culturais, tem origem na ação de Caio Cílnio Mecenas (70–8 a.C.) um aristocrata romano, muito próximo do imperador César Augusto, que financiou e apoiou poetas e escritores da Roma Antiga, de que foram maior exemplo, Virgílio e Horácio. A sua ação foi tão marcante que se tornaria numa referência mundial, dando origem aos termos ‘mecenas’ e ‘mecenato’ para designar quem patrocina a cultura e os seus agentes.

Na história da cidade de Braga, se excluirmos a ação intensa e abrangentes dos seus sucessivos arcebispos, nomeadamente de D. Diogo de Sousa, o mais significativo exemplo de mecenato cultural era, efetivamente, António Augusto Nogueira da Silva (1901-1976), comerciante e filantropo, que, além de incontáveis benemerências, haveria de deixar a sua casa e valioso acervo artístico, à recém-criada Universidade do Minho, instituição que converteria o seu legado numa das suas unidades culturais.

Se a Casa-Museu Nogueira da Silva se afirmou, ao longo das últimas cinco décadas como o exemplo maior do mecenato bracarense, desde o passado dia 25 de abril, esse estatuto passou a ser detido, inquestionavelmente pelo MUZEU - Pensamento e Arte Contemporânea dst, uma iniciativa de José Teixeira, CEO da DST, que oferece à cidade de Braga um dos mais importantes espaços de arte contemporânea existentes em Portugal.

Quando escrevemos ‘oferece’, estamos a ser precisos no termo e no seu significado, facto que torna José Teixeira no mais importante mecenas da história de Braga. O Muzeu é um espaço cultural criado a partir da coleção privada de José Teixeira, que representou um investimento de 40 milhões de euros.

Instalado no antigo palacete dos Vilhena Coutinho - concebido por Carlos Amarante no final do século XVIII e conhecido por ter acolhido o Tribunal Judicial de Braga ao longo de mais de seis décadas – e também em outro edifício anexo, voltado à Praça Municipal, o Muzeu foi concebido pelo arquiteto Carvalho Araújo, estando organizado em cinco pisos, numa área de mais de três mil metros quadrados.

Reunindo um acervo de mais de 1.500 obras, da autoria de 240 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, este espaço cultural quer afirmar-se como um “lugar de liberdade, imaginação e debate político”. Trata-se de uma das coleções de arte mais relevantes existente em solo português, incluindo os nomes de Pablo Picasso, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Nan Goldin, Richard Long, Candida Höfer, André Butzer e Anselm Kiefer, entre muitos outros.

O Muzeu coloca a cidade de Braga na rota da arte contemporânea europeia, servindo para solidificar a cidade como destino turístico e referência cultural. Contudo, nada disto seria possível sem a visão acutilante e audaz de José Teixeira.

Assumindo a liderança da empresa após o falecimento do seu pai, ocorrida em 2010, começaria a trabalhar muito jovem. Licenciado e mestre em Engenharia Civil, José Teixeira não se limita a ser um simples gestor, que se dedica apenas à obtenção de resultados financeiros e lucro. O presidente do conselho de administração da DST devota-se particularmente à cultura, apostando no mecenato de diversas organizações e agentes culturais, patrocinando eventos de inquestionável reputação e detendo, até, uma galeria de arte.

Ávido colecionador de arte, haveria de reunir uma coleção de extraordinária valia estética, a mesma que agora coloca à disposição da sua cidade através do seu MUZEU, que já se afirmou como um dos acontecimentos mais virtuosos da história da cultura bracarense.

Como nos diz André Maurois, “a cultura é o que fica depois de esquecermos tudo o que aprendemos”. Por isso mesmo, nós, bracarenses, somos uns privilegiados por podermos desfrutar de um espaço cultural de excelência como o MUZEU e, particularmente, por beneficiarmos da ação vanguardista e global de um mecenas que já confirmou o seu lugar na história braguesa.

 

Oxalá os bracarenses estejam também conscientes da magnitude daquilo que nos está a ser oferecido.

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

terça-feira, 14 de julho de 2026

+ PATRIMÓNIO: Visita guiada à Braga Desaparecida

A associação Braga +, em parceria com a União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, organiza, no próximo dia 18 de julho, sábado, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita percorrendo a Braga Desaparecida, através da evocação de edifícios, templos e equipamentos coletivos que acabaram por ser desmantelados ao longo do tempo.

Os principais destaques do percurso serão a recordação do castelo de Braga e do convento dos Remédios, os mais polémicos processos de eliminação patrimonial levados a cabo no início do século XX.

No Campo da Vinha, os participantes ficarão a conhecer a história da capela da Senhora do Amparo, demolida no final do século XVIII, mas também do Seminário de S. Pedro, fundado por D. Frei Bartolomeu dos Mártires em 1572 no rescaldo do concílio de Trento e que ocupou, até final do século XIX, quase todo o lado sul desta praça.

O percurso tem prevista também a abordagem à Capela de Santana, que se implantava ao centro da atual Avenida Central, sobre a antiga capela do Paço dos Arcebispos, desmantelada em 1921, ou sobre o mercado municipal que se levantou na Praça Municipal entre 1915 e 1956 e, ainda, a respeito da capela de Santo António da Praça, demolida em 1949 para dar lugar à rua Eça de Queiroz.

Durante esta visita guiada serão ainda recordadas algumas das portas da muralha medieval, como é o caso da Porta do Souto, de S. João os de Santo António, lugares que foram sucumbindo ao sabor dos ímpetos modernistas dos políticos bracarenses de oitocentos.

Este percurso, que tem início marcado para as 10h00 no Largo Carlos Amarante, terá a duração de 90 minutos e será orientado por Rui Ferreira. A participação é livre, não exigindo inscrição prévia. 

  

domingo, 14 de junho de 2026

+ CIDADANIA: Braga também é de Santo António

 

A cidade de Braga exibe um vínculo histórico e emocional a São João Baptista, o santo mais celebrado de Braga, pelo menos, desde o século XVI, no entanto, também outro dos Santos Populares, no caso Santo António, deteve um protagonismo assinalável no âmbito da religiosidade bracarense.

Nascido em Lisboa no ano de 1195, tornar-se-ia religioso franciscano, tendo conhecido o fundador daquela ordem religiosa, São Francisco de Assis. Exímio pregador, veio a falecer no dia 13 de junho de 1231, tendo sido sepultado na cidade italiana de Pádua. Devido à sua inteligência e dotes oratórios, é considerado um dos maiores santos da história do Cristianismo, exibindo uma singular popularidade em muitos lugares da Cristandade e estando associado a um conjunto significativo de práticas supersticiosas.

O primeiro indício deste culto na cidade de Braga foi registado numa das portas da muralha medieval. O Postigo de Santo António, aberto presumivelmente no século XIV, detinha um nicho com a imagem do santo, que terá sido o primeiro local de evocação do taumaturgo lisboeta. Seria no espaço contíguo a esta passagem medieval, demolida na década de 1780, que, a partir de 1572, surgiria o Recolhimento das Beatas de Santo António, numa iniciativa do padre Domingos Peres, que a legaria à Misericórdia de Braga a partir de 1608. Apesar de ter sobrevivido até à República, o edifício do Recolhimento, voltado ao Campo da Vinha, seria demolido em 1885, em virtude do alargamento da rua de Santo António da Praça.

Bem próximo destes dois espaços surgiria, presumivelmente no início do século XVII, a Capela de Santo António da Praça, também designada de Santo António do Campo dos Touros, um popular espaço de culto instalado na cerca do antigo Paço dos Arcebispos e voltado à atual Praça Municipal, que seria demolido em 1949, na sequência da abertura da atual rua Eça de Queiroz. Entretanto, o seu culto seria transferido para uma das capelas laterais da Igreja do Pópulo. Este autêntico complexo antoniano bracarense, constituído pelo postigo medieval, recolhimento de beatas e capela, desapareceria completamente do quotidiano bracarense.

Além da Capela de Santo António da Praça, a cidade de Braga contaria com outro templo devotado a este popular orago. Trata-se da Capela de Santo António dos Esquecidos, erigida em 1706 na lateral da Capela dos Coimbras. Surgindo a partir da intensa devoção de que era alvo uma das esculturas que se exibia num dos nichos exteriores da Capela dos Coimbras, esta capela, que contava com um oratório gradeado e uma peculiar escadaria de acesso, seria projetada por Manuel Fernandes da Silva, tendo sido demolida em 1926, na sequência do processo de reedificação da Casa dos Coimbras.

Também a rua de Santo António das Travessas, que chegou a ser uma das mais controversas da cidade - pelo facto de ter acolhido a segunda judiaria bracarense e por ter sido, durante mais de um século, o lugar preferencial da profissão mais antiga do mundo – honraria o taumaturgo lisboeta no seu topónimo, substituindo a medieval designação de “triparia”, devido a um popular nicho que exibia uma escultura do santo, outrora existente no edifício tardo-gótico, atualmente integrante da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.

Mantendo populares festividades em diversas freguesias do concelho, como é o caso de Lomar, Lamas, Aveleda, Tebosa ou Espinho, Santo António também é celebrado com intensidade na freguesia da Sé, onde se realiza as Marchas de Santo António, numa iniciativa que chegou a contar com uma programação mais extensa nas décadas de 1970 e 1980.

Organizada pelos moradores do largo da Boa Luz e da rua Dom Gualdim Pais, haveria de ser assumida pela associação dos Bravos da Boa Luz. Atualmente, os templos dos Terceiros e do Pópulo mantêm uma singular devoção em honra de Santo António, continuando a distribuir o “pão dos pobres”, no dia da sua festa.

Devido à relevância que a devoção a Santo António detém na história da religiosidade bracarense, a associação Braga Mais organiza hoje, dia em que a Igreja Católica celebra um dos seus mais populares santos, uma Rota Antoniana, percorrendo os espaços onde este culto exibe singular vitalidade, mas também evocando os lugares que outrora lhe eram devotados.

 

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

quarta-feira, 10 de junho de 2026

+ PATRIMÓNIO: Rota Antoniana da cidade de Braga

 


A associação Braga+ organiza, no próximo sábado, dia 13 de junho, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita propondo uma Rota Antonianaque se propõe percorrer a história do culto de Santo António na cidade de Braga.

Realizado propositadamente no dia em que se celebra este popular santo português, este percurso tem início marcado para as 10h00 na Igreja do Pópulo.

O objetivo desta visita guiada é abordar os inúmeros lugares de culto que outrora existiram na cidade de Braga em honra deste taumaturgo lisboeta, nomeadamente o postigo que lhe era devotado nas muralhas medievais bracarenses, mas também o Recolhimento de Beatas que lhe era contíguo, cuja frontaria estava voltada para o Campo da Vinha.

Ao longo do percurso serão também evocadas as Capelas de Santo António da Praça e de Santo António dos Esquecidos, ambas demolidas no segundo quartel do século XX, cuja memória ainda prevalece em alguns locais.

A visita guiada conta também com passagens pela rua de Santo António das Travessas e pelos dois principais núcleos da devoção antoniana na cidade de Braga na atualidade: a Igreja do Pópulo e a Igreja dos Terceiros.

Esta e muitas outras histórias poderão ser conhecidas num percurso que irá percorrer os espaços fundamentais deste culto ao longo de 90 minutos. A orientação será da responsabilidade de Rui Ferreira.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

+ CULTURA: São Martinho de Dume e o monaquismo no Noroeste Peninsular



A associação Braga+ vai associar-se à edição deste ano do evento Dume Capital Sueva, com a realização da conferência "São Martinho de Dume e o monaquismo no Noroeste Peninsular", que vai ser proferida por Rui Ferreira.

Esta iniciativa vai ter lugar no próximo sábado, dia 30 de maio, pelas 16h00, na Capela de Nossa Senhora do Rosário, contígua à Igreja de Dume, tendo a duração de 50 minutos. No final da conferência será realizada uma visita guiada ao Núcleo Museológico de Dume.

O evento Dume Capital Sueva, que se tem realizado nos anos mais recentes, pretende evocar o legado dos Suevos, que se instalaram no Noroeste peninsular entre 411 e 585, fazendo de Braga o seu centro político e religioso. Dume seria o lugar onde São Martinho de Dume instalaria o mais antigo mosteiro do atual território português, sendo, por isso mesmo, um lugar fundamental para a evocação do legado suévico. A temática desta edição é precisamente ‘O Mosteiro e os Monges’, evocando o antigo mosteiro de Dume enquanto centro de espiritualidade. 

A edição deste ano decorre nos dias 30 e 31 de maio, no adro da Igreja Paroquial e nos jardins da Casa da Cultura, contando com recriações históricas, representações teatrais, atuações musicais, danças medievais e conferências, entre outras atividades. 

A participação é livre.


terça-feira, 19 de maio de 2026

+ CULTURA: Visita ao Centro Interpretativo dos Abades de Priscos

 


A associação Braga+ organiza, no próximo sábado, dia 23 de maio, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita propondo uma visita guiada a um dos mais recentes espaços museológicos de Braga, o Centro Interpretativo dos Abades de Priscosuma iniciativa da Paróquia de Priscos, que se propõe percorrer a história de Priscos e dos seus sucessivos titulares paroquiais.

Na Casa do Abade de Priscos poderemos ficar a conhecer um pouco da história de Priscos, cuja primeira menção recua ao século XI, nomeadamente ao Censual do Bispo D. Pedro, bem como dos seus mais célebres Abades, entre os quais se destaca o Abade gastrónomo, autor do célebre pudim e de outras iguarias, mas que também inclui um Abade que liderou uma guerrilha na revolta da Maria da Fonte, além, obviamente, do atual Abade, que inventou um presépio que recolocou o nome de Priscos no mapa.

Localizado na antiga residência paroquial, o Centro Interpretativo dos Abades de Priscos, abriu as portas em março do ano passado e ainda é desconhecido por muitos bracarenses.

Esta iniciativa tem início marcado para as 10h00 no adro da Igreja de Priscos ou às 09h30 no estacionamento da Capela de São João da Ponte, para quem necessitar de transporte ou de orientação.

A participação nesta iniciativa tem o custo de 2,5 Euros e conta com orientação de Rui Ferreira.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

+ PATRIMÓNIO: Visita guiada à Igreja de São Vicente

 

A associação Braga+ vai associar-se às comemorações do Centenário da Paróquia de São Vicente, com uma visita guiada à Igreja de São Vicente, que se propõe percorrer a história deste templo.

Esta iniciativa vai ter lugar no próximo sábado, dia 25 de abril, pelas 19h00, tendo a duração de 60 minutos, sendo a orientação da responsabilidade de Rui Ferreira.

Neste percurso interpretativo pela Igreja de São Vicente, vamos abordar os principais factos e protagonistas deste templo bracarense. Desde a sua origem como espaço de culto, marginando a Via romana XVIII, passando pelo seu vínculo inevitável a Dume e à ação de São Martinho Dumiense, até ao surgimento da sua Irmandade e às duas reedificações do templo, terminando na sua ereção como paróquia, por intermédio do arcebispo D. Manuel Vieira de Matos.

A participação é livre.