quarta-feira, 22 de julho de 2020

+ PATRIMÓNIO: Percursos Brácaros - Falperra

As associações Braga + e JovemCoop vão terminar esta série de Percursos Brácaros com uma visita guiada digital à Falperra, nomeadamente às capelas de Santa Marta do Leão e da Capela de Santa Maria Madalena. Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a Irmandade da Falperra, decorre este sábado, 25 de Julho, a partir das 10h30, com o propósito de dar a conhecer um lugar de património e celebração para todos os bracarenses, que coincide com a data da sua habitual romaria. A visita pode ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook.
Tal como é usual na tradição cristã do Entre Douro e Minho, os pontos mais elevados desta montanha acolheram, desde cedo, lugares de culto. A devoção a Santa Marta foi instaurada no monte das Cortiças e, mais tarde e por influência deste, no seu sopé. Também Maria Madalena, que uma das tradições hagiográficas cristãs aponta como sendo irmã de Marta, viu surgir numa vertente oposta da Falperra – mais propriamente na base do Monte Frio - o seu espaço de culto, que seria redesenhado por André Soares em meados do século XVIII. Com esta visita guiada, as duas associações continuam a dar preferência ao legado de André Soares, associando-se às comemorações dos 300 anos do nascimento do artista bracarense.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

+ Património: Percursos Brácaros - Palácio do Raio


As associações Braga + e JovemCoop vão dar continuidade aos seus Percursos Brácaros com uma visita guiada digital ao Palácio do Raio. Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a Misericórdia de Braga, decorre este sábado, 4 de Julho, a partir das 10h30, com o propósito de dar a conhecer a história e o património deste exemplar tão relevante da arquitetura civil bracarense. A visita pode ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook. O palácio do Raio é uma das obras-primas de André Soares. Construído a partir de 1752, destinava-se a servir de habitação à família do rico comerciante João Duarte Faria. Sofreu algumas alterações no decorrer do século XIX, quando estava na posse de Miguel José Raio, o homem que deixou o seu nome à casa. Contudo, a designação do palácio mais popular entre os bracarenses era "Casa do Mexicano", devido à estátua do que aparenta ser um turco, que se encontra em destaque na escadaria principal, e saiu também das mãos do mestre André Soares. O palácio do Raio esteve, até 2011, na posse do Estado. Como sua proprietária, a Santa Casa da Misericórdia de Braga encetou um processo de reabilitação ao edifício, passando a acolher, desde 2015, os serviços centrais da instituição e o Centro Interpretativo Memórias da Misericórdia de Braga. Desta forma, as duas associações continuam a dar preferência ao legado de André Soares, associando-se às comemorações dos 300 anos do nascimento do artista bracarense.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

+ PATRIMÓNIO: Percursos Brácaros - Capela de São João da Ponte



Aproximando-se as Festas de São João, momento primordial da celebração coletiva bracarense, damos continuidade aos nossos Percursos Brácaros com uma visita guiada digital à Capela de São João da Ponte. Depois da bem-sucedida visita digital à Capela de Guadalupe, a JovemCoop e a Braga Mais juntam-se novamente com o propósito de dar a conhecer o património bracarense.

Esta iniciativa, realizada em parceria com a Junta de Freguesia de São Victor e com a Paróquia de Santo Adrião, decorre este sábado, 20 de Junho, a partir das 10h30com o propósito de dar a conhecer a história e o património deste templo tão especial para os bracarenses. A visita pode ser acompanhada a partir da página da JovemCoop no Facebook.

A Capela de São João da Ponte é um dos ícones das sanjoaninas bracarenses. Edificada em 1616, surge no preciso local onde decorria o epicentro das celebrações em honra de São João Baptista na cidade de Braga. A corrida do porco preto, citada pelo menos desde o século XVI, atraía então as atenções populares e concentrava toda a dinâmica dos festejos. A proibição da incorporação da Bandeira da Cidade, com a representação de Nossa Senhora, na Corrida do Porco Preto, ocorrida em 1614, acabaria por ser o mais que provável fundamento para a construção da capela. Dizem as atas municipais que em substituição da Bandeira se deveria celebrar uma eucaristia antecedendo a corrida, talvez para acalmar os acicatados ânimos que precediam a competição. No ano seguinte já se falava da ermida “que se fazia à Coutada dos Arcebispos”.

Apesar do desaparecimento da célebre Corrida do Porco Preto, a Capela continuou a ser um dos epicentros das seculares celebrações bracarenses a São João Baptista, realizando-se no seu entorno uma “grande feira anual” a 23 e 24 de Junho. Espaço de memória e de memórias, muitas delas associadas inevitavelmente aos festejos sanjoaninos, a valia desta capela não se mede pela sua qualidade artística, mas pela importância comunitária de que se reveste para os bracarenses. A capela tem uma arquitetura singela, com dois campanários e um alpendre, tendo sido reformada provavelmente nos finais do século XVIII e início do seguinte. Na verga da porta principal do templo é observável a data da sua construção: “ANNO DE 1616”. Localizada junto a uma das principais saídas da cidade, a estrada para Guimarães, a capela adquiriu o nome em referência à ponte que servia de passagem sobre o rio Este. 

A capela, devotada “ao Bautista” - como no-lo comprovam crónicas setecentistas - apesar de algumas infundadas dúvidas colocadas sobre a titularidade do orago, detinha outras destacadas devoções como é o caso de Nossa Senhora do Parto ou de São Cristóvão. Mais tarde acabariam por incorporar-se as devoções a Santa Felicidade e ao Senhor da Saúde, outrora nas Carvalheiras. Enriquecida em 1919 com alguns elementos do demolido Convento dos Remédios, a Capela de São João da Ponte viu surgir no seu entorno o primeiro parque urbano de Braga.


terça-feira, 2 de junho de 2020

+ PATRIMÓNIO: Percurso Brácaro: Capela de Guadalupe

A Braga + viu abalada a sua atividade perante a pandemia que se instalou na nossa sociedade desde o passado mês de março, continuando hoje a condicionar o nosso quotiadiano. Por isso mesmo, foi imperativo cancelar todas as ações previstas até ser viável a sua retoma.

Adaptando-nos a este exigente contexto, e de forma a continuarmos a viver a nossa missão, vamos promover, em conjunto com a JovemCoop, um ciclo quinzenal de visitas guiadas digitais, que decorrerá até ao final de julho, mais propriamente nos dias 6 e 20 de junho, 4 e 18 de julho. 

A primeiras destas iniciativas decorre este sábado com uma visita guiada digital à Capela de Guadalupecom o propósito de dar a conhecer a história e o património deste templo tão especial da cidade de Braga. A visita decorre a partir das 10h30 deste sábado, 6 de junho, a partir da página da JovemCoop no Facebook.

A cidade de Braga possui inúmeros lugares que, pela sua localização em espaços mais distantes dos circuitos principais ou até pela sua geografia, se encontram mais ausentes do conhecimento dos próprios bracarenses. É esse o paradigmático caso da Capela de Guadalupe, localizada sobre uma elevação muito próxima da Avenida Central, envolvida por um pequeno parque verde, além de permitir um miradouro natural para a zona nascente da cidade. Está escondida, podemos dizê-lo, mas demasiado próxima dos espaços mais frequentados da cidade.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

MEMÓRIAS DE BRAGA: Livrarias bracarenses


Braga + promove no próximo dia 30 de janeiro, pelas 21h30, mais uma tertúlia inserida no ciclo Memórias de Braga, que vai ter como temática principal as Livrarias Bracarenses, aquelas que ainda hoje exercem a sua atividade, mas particularmente as que já desapareceram e deixaram uma memória significativa na comunidade bracarense.

Esta iniciativa, que se realiza no auditório da Junta de Freguesia de São Victor, terá como convidados Augusto Ferreira (Livraria Cruz e Livraria Minho), Fernando Santos (Livraria Cruz), Manuel Bonjardim (Livraria Pax e Livraria Bracara) e Fernando Mendes (Livraria Nova Cultura). A moderação estará a cargo de Rui Ferreira.

Como vem sendo habitual, durante a sessão estará exposta uma pequena mostra de documentos e fotografias recolhidos por Fernando Mendes, que complementam a informação que será abordada nesta sessão.

Ao longo do último século e meio, Braga foi muito pródiga em livrarias que, por motivos diversos, deixaram de existir. Memoramos as desaparecidas Livraria Cruz, Livraria Gualdino Correia, Livraria Pax, Livraria Casa do Globo, Livraria Victor, Livraria Augusto Costa, Livraria Central, Livraria Académica, Livraria Nova Cultura, Livraria Palha, Livraria Íris ou a Livraria Sameiro, deixando fora deste rol aquelas que continuam a cumprir, hoje, a sua missão. Muitas destas livrarias, além de fomentarem o gosto pela leitura e permitirem o acesso aos livros que se iam publicando, deram um contributo incalculável como editoras.

Recorde-se que o ciclo “Memórias de Braga” realiza-se, com constância bimestral. Cada conversa, que se quer informal, anda à volta de um ou mais convidados. O objetivo é mesmo o de conversar, público e convidado, no sentido de partilhar e construir memórias sobre a cidade.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

+ CIDADANIA: Memórias de Braga: Livrarias

Correio do Minho, 14 de Janeiro de 2020

A escrita constituiu-se uma revolução para a humanidade. Terá tido a sua origem no Próximo Oriente há cerca de cinco mil anos. Barro, madeira, marfim ou pedra foram os primeiros materiais utilizados para gravar símbolos. Surgiria, entretanto, pelos Egípcios, a escrita hieroglífica, constituída por imagens desenhadas. Mais tarde surgiria o papiro, utilizado como base para a escrita.
Mil anos depois, na China inventou-se a escrita pictográfica. Coube, porém, aos fenícios inventar o alfabeto na primeira metade do segundo milénio a.C., limitado a 22 sinais, consonânticos com uma grafia. Os gregos adotariam esse alfabeto, introduzindo-lhe melhorias.
A invenção da imprensa por Gutenberg levou a uma célere evolução da escrita, despontando na Renascença uma escrita mais fluída e amplificadora de sentidos. O primeiro editado foi a Bíblia, em latim, por ele publicado em 1455, com 642 páginas. A sua execução demorou cerca de cinco anos. Foi esta facilidade de imprimir conteúdos escritos que permitiu que o livro se tornasse um objeto acessível a um número crescente de pessoas e se generalizasse no quotidiano das sociedades.
Do século XVII, especificamente usada na imprensa, foi evoluindo para soluções muito personificadas até ao século XVIII. Uma via de uniformização veio a ser prosseguida com o desenvolvimento da imprensa jornalística moderna, com o perfil que hoje conhecemos e é bastante diferente dos seus primeiros tempos.
Em Portugal, o primeiro livro impresso, de que sobram registos, foi publicado no ano de 1495. Foi impresso por Samuel Gacon. Este impressor era de origem andaluza e terá fugido de Sevilha após o início da perseguição aos judeus promovida pelos Reis Católicos. Ou seja, um judeu que encontrou refúgio em Portugal e veio introduzir os seus conhecimentos no nosso país.
A partir do século XIX as técnicas de impressão registaram sucessivas evoluções, permitindo o incremento da publicação de livros, aumentando as tiragens e baixando consideravelmente os preços. O livro passou a ser de acesso, tendencialmente, universal, permitindo promover as ideias dos intelectuais e desenvolver a criatividade dos literatos. A abertura de livrarias generalizou-se. A Livraria Bertrand, no Chiado, em Lisboa, é a livraria comercial mais antiga de Portugal, tendo sido fundada em 1732 por Pedro Faure.
Em Braga, entre os séculos XVI a XVIII, terá existido uma espécie de livraria no espaço do Paço Arquiepiscopal. Esta serviria de suporte à atividade litúrgica e missionária dos sacerdotes da Arquidiocese. Sabemos que Gonçalo Basto foi nomeado livreiro do Arcebispo no ano de 1600. Recorde-se também o impressor Frutuoso Lourenço de Basto.
Ao longo do último século e meio, por exemplo, Braga foi muito pródiga em livrarias que, por motivos diversos, deixaram de existir. Memoramos as desaparecidas Livraria Cruz, Livraria Gualdino Correia, Livraria Pax, Livraria Casa do Globo, Livraria Victor, Livraria Augusto Costa. Livraria Central, Livraria Académica, Livraria Nova Cultura ou Livraria Sameiro, deixando fora deste rol aquelas que continuam a cumprir, hoje, a sua missão. Muitas destas livrarias, além de fomentarem o gosto pela leitura e permitirem o acesso aos livros que se iam publicando, deram um contributo incalculável como editoras.
 Nesse sentido, a Braga Mais organiza no próximo dia 30 de Janeiro, a partir das 21h30, no auditório da Junta de Freguesia de São Victor, mais uma sessão do ciclo “Memórias de Braga”, precisamente evocando as livrarias bracarenses, partindo da partilha de alguns dos seus protagonistas.

Fernando Mendes
Vice-Presidente da Braga Mais

+ CIDADANIA: O Património como missão

Correio do Minho, 17 de Dezembro de 2019

Quando a Braga Mais nasceu há pouco mais de sete anos, sentimos um imperativo partilhado com um grupo significativo de bracarenses para a salvaguarda e valorização do património cultural. Este sentimento continua hoje presente na nossa missão, pois temos consciência que são inúmeros os desafios que se colocam de forma premente ao património bracarense, seja ele edificado, móvel ou imaterial.
É curioso verificar que as comunidades despertam para a valorização do seu património sempre que sentem alguma ameaça à sua identidade. E não foi diferente na cidade de Braga. Como não recordar o que se passou com a defesa das Sete Fontes? Os cidadãos uniram-se em movimentos e conseguiram alterar o destino daquele complexo monumental. Mais recentemente tivemos o caso de sucesso do movimento “São Geraldo Cultural”, que obrigou o poder político a refletir sobre o destino de um antigo equipamento cultural.
Como sabemos, apesar da sociedade europeia ter manifestado uma peculiar sensibilidade para a preservação dos elementos vinculados às civilizações clássicas a partir do Renascimento, seria em França, mais propriamente na sequência da revolução de 1789, que a necessidade de preservar e salvaguardar o legado patrimonial se revelaria à sociedade (Choay, 2008). Aliás, a palavra “património” remete, desde logo, para a dimensão de posse e de valor intrínseco de uma determinada realidade, sendo, neste caso, aplicada não apenas a um titular, mas a toda a comunidade. O Património é, assim entendido, uma herança ou um legado que recebemos dos nossos antepassados e que temos o dever de preservar.
Tal como as destruições de cidades e monumentos provocadas pela II Guerra Mundial no centro da Europa fez avançar significativamente a sensibilidade patrimonial das sociedades ocidentais a partir de meados do século XX, também os exageros assoladores promovidos pelo jacobinismo francês acabaram por servir de fundamento ao aparecimento dos primeiros mecanismos legais de proteção do Património. Como não recordar a demolição, pedra a pedra, de um dos maiores templos da Cristandade, a Abadia de Cluny, sucedida entre 1791 e 1812 por intermédio dos partidários da revolução francesa? Os tempos de decisões extremas foram sempre os despoletadores de mudanças significativas das sociedades, neste caso no sentido de uma consciencialização mais declarada pelos elementos que se constituiriam como elos de uma identidade partilhada. A responsabilidade pela defesa do Património não é apenas missão dos poderes públicos, mas é tarefa de toda a comunidade. Todos somos chamados a dar um contributo efetivo para a salvaguarda das heranças que definem a nossa identidade.
Podemos promover a salvaguarda do Património de muitas maneiras. A Braga Mais escolheu a divulgação contínua dos nossos diversos patrimónios através dos percursos temáticos promovidos, procurando que cada vez mais bracarenses o conheçam e sejam os seus primeiros divulgadores e promotores da sua proteção.
E dando sequência a este que é o principal eixo da nossa missão, a Braga Mais, juntamente com a JovemCoop, organiza este sábado, a partir das 10h00, mais um percurso pelo património bracarense, desta vez assinalando os 250 anos da morte de André Soares. Iremos percorrer algumas das principais obras deste artista bracarense, deixando o especial desafio aos participantes de trazerem garrafas de azeite de forma a contribuírem para os cabazes de Natal da Comissão Social da Paróquia de São Victor. Contamos consigo?

Rui Ferreira
Presidente da Direção da Braga Mais