quinta-feira, 13 de março de 2025

+ PATRIMÓNIO: Percurso Interpretativo da Capela de Guadalupe

    A associação Braga +, juntamente com a Irmandade de Nossa Senhora de Guadalupe e com a JovemCoop, organiza, no próximo dia 22 de março, sábado, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita com um percurso interpretativo do Bairro do Reduto, nomeadamente da Capela de Guadalupe, cujo tricentenário se assinala a 23 de março de 2025. 

O bairro do Reduto, do Quinteiro ou do Gavião foi um empreendimento urbanístico iniciado na década de 1720, por iniciativa de António Barreto Gavião, concretizado num original projeto, centralizado numa praça ortogonal (Campo Novo), sendo rasgados os seus vértices pelas quatro ruas com as quais comunica, alcançando uma projeção rara no urbanismo barroco português.

    Projetada durante a prelazia do arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, entre os anos de 1723 e 1725, tem sido atribuída a Manuel Pinto de Vilalobos, o engenheiro militar associado às principais obras daquele prelado. O local implantava-se numa das encostas do monte de Santa Margarida, por isso mesmo, foi necessário “quebrar a pedra” ali existente para se aplanar o espaço onde seriam edificadas as ruas e a sua praça central.

    Neste projeto integrou-se a reedificação da antiga Ermida de Santa Margarida das Gafas, sede de uma leprosaria medieval, que haveria de acolher o renovado orago de Nossa Senhora de Guadalupe ou “Água de Lupe”, como era popularmente conhecida pelos bracarenses.

     Esta capela foi uma iniciativa do inevitável Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles no ano de 1718, tendo sido projetada com uma original planimetria quadrilobada por Manuel Fernandes da Silva. No ano seguinte as obras já tinham começado e a 23 de março de 1725 seria solenemente benzida pelo mesmo prelado. No seu interior destaca-se o seu retábulo-mor, uma das últimas obras de André Soares, datado de 1768 e entalhado por Manuel Carneiro da Costa. Este retábulo foi recentemente reabilitado tendo-lhe sido devolvido seu cromatismo original.

Além de um percurso pelo Campo Novo e ruas adjacentes, a visita guiada conta com passagens pelo Miradouro do Sagrado Coração de Jesus, onde poderá ser vislumbrada esta urbanização barroca, além do Reservatório de Água, terminando na Capela de Guadalupe, onde serão desvendados todos os seus segredos.

    Contando com o apoio da Junta de Freguesia de São Victor e integrado no programa de comemorações dos 300 anos da Capela de Guadalupe, este percurso, que tem início marcado para as 10h00 no Campo Novo, tendo a duração de 90 minutos e com orientação de Rui Ferreira.  

    A participação é livre, não exigindo inscrição prévia. 


sábado, 1 de março de 2025

+ CIDADANIA: A cidade onde as livrarias fecham as portas

Nas últimas semanas de 2024, os bracarenses foram surpreendidos com o encerramento de mais uma livraria. A Livraria Oswaldo Sá, herdeira da grande Livraria Victor, fechou definitivamente as portas. Como refere o escritor britânico Neil Gaiman, “o que é uma cidade sem uma livraria? Pode até chamar-se de cidade mas, se não tiver uma livraria, sabe que não engana nenhuma alma”. Efetivamente, uma cidade onde as livrarias vão progressivamente fechando as portas é uma cidade sem tempo, desprovida de pensamento, sem alma. 

Ao longo do último século e meio, Braga foi muito pródiga em livrarias que, por motivos diversos, deixaram de existir. Memoramos as desaparecidas Livraria Cruz, Livraria Gualdino Correia, Livraria Pax, Livraria Casa do Globo, Livraria Victor, Livraria Augusto Costa, Livraria Central, Livraria Académica, Livraria Nova Cultura, Livraria Palha, Livraria Íris, Livraria Braga Books ou a Livraria Sameiro, entre outras. 

Muitas destas livrarias, além de fomentarem o gosto pela leitura e permitirem o acesso aos livros que se iam publicando, deram um contributo incalculável como editoras. Alguns livreiros, como José Moreira ou Victor de Sá, fizeram-nos perceber como uma livraria pode mudar uma cidade. Mantê-la viva e acordada. E bem sabemos que numa cidade onde abundam livrarias, superabunda o pensamento e o espírito crítico.

Uma livraria não pode ser vista apenas como um estabelecimento comercial, onde o objetivo final é o lucro. Uma livraria é um espaço privilegiado de cultura, onde adquirimos oportunidades para o conhecimento. Se no restaurante ou na pastelaria podemos saciar o nosso apetite, as livrarias possibilitam-nos saciar a nossa curiosidade e matar a nossa sede por saber mais.

As livrarias bracarenses que foram desaparecendo cumpriam plenamente essa missão. Por isso, é tão lastimoso o seu desaparecimento. A Livraria Casa do Globo, a Livraria Gualdino, a Livraria Victor, a Livraria Pax ou a Livraria Cruz não eram meros estabelecimentos comerciais. Eram editoras, papelarias, algumas, até, tipografias. Eram autênticos centros culturais, onde se promoviam livros, autores, formas de pensar.

Braga mais que duplicou a sua população nas últimas sete décadas, estando atualmente no limiar dos 200 mil habitantes. Não deixa de ser surpreendente que, na década de 1950, o ratio, ou a proporção, de livrarias relativamente à população era substancialmente superior ao atual. 

São cada vez menos as livrarias bracarenses. Com o encerramento da Livraria Oswaldo Sá, resta a Livraria Bracara, a Livraria Minho e a Livraria Centésima Página. Isto se excluirmos as livrarias vinculadas aos grandes grupos económicos ou aquelas que se encontram vinculadas às temáticas da espiritualidade, especialização que ainda vai vigorando na nossa cidade, como são o caso da Livraria Diário do Minho, Livraria do Apostolado da Oração, Livraria Senda ou da Livraria Ebenézer. 

Quando sucessivamente os responsáveis políticos, e também a sociedade civil, vão apontando a Cultura como uma prioridade, torna-se incompreensível aceitar o número decrescente de livrarias generalistas de iniciativa local, particularmente quando o mercado livreiro se encontra em franco crescimento.

Segundo os dados da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), em 2023, o mercado livreiro português representou 187 milhões de euros, com um aumento de 7% nas vendas face ao ano anterior. Registou-se também um incremento na percentagem de portugueses que compraram livros, passando de 62% para 65%.

Desde que a Livraria Pax fechou as portas em 1995, ou que a Livraria Cruz foi aglutinada por uma grande cadeia em 1996, só episodicamente fomos vencendo a ataraxia que tomou conta do setor livreiro bracarense. O venturoso surgimento da Livraria Centésima Página é a rara exceção de um cenário desolador, onde vimos soçobrar efémeros projetos como a Livraria Braga Books, a Livraria Nova Cultura ou a Livraria Fundamentos. 

Uma cidade que se pretende afirmar do ponto de vista cultural não pode exibir uma tão gritante ausência de dinâmica livreira. Talvez seja esse um dos motivos que sentenciou a Feira do Livro de Braga, após mais de uma década de instabilidade organizativa. 

Perante este cenário, urge que as instituições civis, académicas e, no singular caso de Braga, também as eclesiásticas, tentem inverter esta tendência, incrementando o apoio à iniciativa editorial e desenvolvendo planos de ação e iniciativas concretas que valorizem o livro e, consequentemente, a missão dos livreiros bracarenses.  

Resta-nos desejar longa vida às livrarias bracarenses.

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

+ PATRIMÓNIO: Visita guiada às obras de Carlos Amarante


A associação Braga +, em parceria com a União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, organiza, no próximo dia 25 de janeiro, sábado, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita percorrendo algumas das obras delineadas por Carlos Amarante

Este percurso, que tem início marcado para as 10h00 na Igreja do Pópulo, terá a duração de 90 minutos e será orientado por Rui Ferreira, contando com passagens pela Igreja dos Terceiros, Igreja do Hospital de São Marcos e pela casa onde nasceu o artista. Será também possível vislumbrar o mais antigo desenho conhecido de Carlos Amarante.  

Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante é um dos nomes maiores da arte bracarense. Nascido em Braga no ano de 1748, veio a falecer no dia 22 de janeiro de 1815 na cidade do Porto, onde está se pultado. 

Entre as obras que legou à cidade de Braga encontra-se a igreja do Hospital de S. Marcos; a fachada da igreja do Pópulo; o templo, terreiro de Moisés e escadório das Virtudes no Bom Jesus do Monte; e o palacete dos Vilhena Coutinho (antigo tribunal), entre outras obras que lhe são atribuídas. Protegido do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, deixou uma vasta obra na cidade do Porto para onde foi viver nas duas últimas décadas da sua vida.

A evocação do bracarense, que dá nome ao espaço urbano onde se localiza a sede da União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, tem um cariz solidário, solicitando-se aos participantes que tragam azeite ou leite para as Conferências Vicentinas da paróquia de São Lázaro

Esta iniciativa conta com a colaboração da Unidade Interparoquial da Sé, São João do Souto e Cividade, Santa Casa da Misericórdia, Irmandade de Nossa Senhora da Torre e da Paróquia de São José de São Lázaro.


sábado, 4 de janeiro de 2025

+ CIDADANIA: Uma década perdida para Braga

 

O ano de 2013 prometia ser um momento de grande mudança para Braga. As eleições autárquicas desse ano seriam, para a maioria dos cidadãos, uma oportunidade para reformular as prioridades na gestão do território, dada a alteração inevitável da liderança da Câmara Municipal. Para muitos bracarenses, que confiaram que a mudança de ciclo político e dos seus protagonistas representaria uma profunda alteração no âmbito da valorização patrimonial, esta foi uma década perdida.

Se no âmbito da dinamização cultural, grande parte dos objetivos foram sendo alcançados - salvo a (inexplicavelmente) gorada pretensão de tornar Braga na próxima Capital Europeia da Cultura portuguesa – já no âmbito da valorização patrimonial, a maioria das propostas não passaram de devaneios, jamais ultrapassando as versões eleitoralistas dos desígnios sufragados, as palavras ditas em discursos eivados de dotes oratórios ou as parangonas plantadas na imprensa pelo gabinete de comunicação municipal.

Após mais de uma década, os bracarenses continuam a aguardar pelo famigerado parque eco-monumental das Sete Fontes (será preciso mais de uma década para resolver todas as questões urbanísticas e burocráticas?); permanecem expectantes relativamente à musealização em curso da Ínsula das Carvalheiras ou à (tantas vezes reafirmada) conservação e musealização das ruínas da Estação Arqueológica de Santa Marta das Cortiças; e certamente se encontram desiludidos com o destino do edifício da antiga Saboaria e Perfumaria Confiança, que havia sido adquirido pela Câmara Municipal de Braga (com o suporte dos atuais protagonistas políticos), para ser utilizado para finalidades culturais, estando atualmente a ser transformado numa residência universitária que irá densificar, ainda mais, a área urbanizada naquela zona da cidade.

As grandes conquistas no âmbito da valorização patrimonial não se deveram diretamente à intervenção municipal, de que são exemplo maior o reconhecimento do Santuário do Bom Jesus do Monte como Património da Humanidade pela UNESCO, processo conduzido pela Arquidiocese de Braga e pela Confraria do Bom Jesus, que seria finalizado em 2019; e a inscrição das solenidades da Semana Santa de Braga no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, uma iniciativa da Comissão da Semana Santa terminada em 2022.

Numa cidade cujos responsáveis afirmam a Cultura como uma prioridade, esfregando no rosto dos mais críticos o título de Capital Nacional da Cultura, que vai ostentar durante o ano que agora se inicia, como justificar que o Museu da Imagem – uma das iniciativas do executivo municipal que havia sido tão criticado por um presumível desleixo cultural – esteja fechado para obras há seis anos; que a Casa dos Crivos, única galeria municipal, se encontre na mesma situação há quatro anos; ou que a Torre de Menagem, que passou a estar aberta em permanência desde 2017, com uma exposição permanente sobre a história da cidade, se encontre encerrada para a substituição de uma trave de madeira?

Por mais eventos que sejam criados ou reformulados, alguns com especiais méritos histórico-patrimoniais, como é o caso da Braga Barroca ou do Festival de Órgão, isso não significa necessariamente uma aposta declarada na valorização patrimonial. Aliás, à luz da presuntiva Estratégia Cultural 2020-2030, já foram sentenciadas algumas das dinâmicas culturais inauguradas no presente ciclo político, como são os paradigmáticos casos do Festival de Guitarra, o programa “Olhó Teatro”, o Concurso de Bandas Filarmónicas, o projeto de Musicologia “Património Musical do Concelho de Braga” ou o Prémio de História Local Dr. Manuel Monteiro.

Como nos diz Umberto Eco, no seu célebre ensaio de crítica cultural, “o Apocalipse é uma obsessão do 'dissenter', a integração é a realidade concreta dos que não dissentem". Ou seja, como traçar uma estratégia cultural tentando impingir à população um conjunto de opções profundamente elitistas, descurando a identidade do território e aquilo que os seus agentes e entidades já produzem? Oferecer mais e melhores condições para a criatividade é um enorme mérito daquele documento, e uma enorme fragilidade do contexto cultural bracarense hodierno, no entanto, jamais poderemos descurar a dinâmica que os bracarenses já são capazes de gerar, nomeadamente a relevância da investigação histórica e todas as expressões da cultura popular.

Desejamos que o ano de 2025 seja efetivamente um momento de transformação para Braga no âmbito da valorização patrimonial. Esperamos, acima de tudo, que as diversas propostas que sejam apresentadas aos bracarenses para o próximo ciclo de governação municipal, não olvidem a relevância histórica e patrimonial do nosso território, mas determinadamente desafiem a teia de interesses instalados e percebam a Cultura, com tudo o que implica no âmbito da valorização patrimonial, como o caminho mais direto para a coesão da comunidade e para a sua afirmação nacional e internacional.

 Será possível entrevermos esperança no futuro de Braga?

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

+ PATRIMÓNIO: Percurso solidário de Natal

 

As associações Braga + e JovemCoop organizam, no próximo sábado, dia 14 de Dezembro, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita evocando a presença dos oratorianos na cidade de Braga. A iniciativa tem início marcado para as 10h00, no largo de São Paulo.

O ponto alto do percurso vai ser a visita à Basílica dos Congregados, durante a qual os participantes ficarão a conhecer a história deste templo bracarense, além de terem a possibilidade de descobrir os espaços do seu interior, nomeadamente o interior do templo, a Capela da Senhora Aparecida, o Coro-Alto, além da subida a uma das torres sineiras, onde poderão desfrutar de uma singular panorâmica sobre a cidade de Braga.

A Congregação do Oratório, fundada por S. Filipe de Neri em 1575, chegou à cidade de Braga em 1686, por intermédio do influente cónego João de Meira Carrilho. Instalados inicialmente numas casas junto à Sé, haveriam de iniciar a construção de um imponente templo e de um colégio no Campo de Santana a partir de 1703.

O seu ambicioso projeto haveria de demorar muitas décadas a ser construído, sendo abalado por diversas vicissitudes e alterações. Hoje, o templo dos Congregados afirma-se como um dos mais interessantes exemplares patrimoniais da cidade de Braga, sendo um reflexo da arte de André Soares, e também da benemerência de António Augusto Nogueira da Silva.

Esta iniciativa tem um teor solidário, já que os participantes são convidados a trazer garrafas de azeite, que serão posteriormente doadas à Comissão Social de São Victor com o intuito de compor os cabazes de Natal que são entregues às famílias mais carenciadas. Trata-se de uma forma das associações se agregarem à Missão “Põe Azeite”, que tem sido levada a cabo pelo Grupo Coral de Guadalupe.

Quem não puder participar, poderá também contribuir com uma garrafa de azeite, entregando na Junta de Freguesia de São Victor ou entrando em contacto com a JovemCoop, que se disponibiliza para fazer a recolha. (91934796).

 

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

+ CIDADANIA: Vamos reavivar o Castro de Monte Redondo?

 

O Castro de Monte Redondo é possivelmente o mais importante povoado proto-histórico do território bracarense. Localizado na freguesia de Guisande, no alto do também denominado monte Cossourado ou de São Mamede, a uma altitude de 427 metros, detém uma posição de domínio sobre os vales do Pelhe, em Famalicão e sobre a veiga de Penso, em Braga.

Devemos a Albano Belino, o precursor da arqueologia bracarense, além do alerta para a relevância patrimonial do Castro de Monte Redondo, os primeiros e mais significativos trabalhos de prospeção arqueológica daquele povoado castrejo desenvolvidos nos anos de 1899 e 1900. As escavações revelaram a existência de três muralhas, tendo a primeira mais de um quilómetro de perímetro e um conjunto muito significativo de habitações de plantas circulares e quadradas.

Devido à relevância dos vestígios ali encontrados, o Castro de Monte Redondo seria classificado como Monumento Nacional a 23 de junho de 1910. Apesar disso, encontra-se até hoje votado ao esquecimento e sem qualquer expectativa de valorização patrimonial.

Por isso mesmo, a associação Braga Mais, juntamente com a União de Freguesias de Guisande e Oliveira São Pedro, estão a organizar o ciclo de iniciativas “Vamos reavivar o Castro de Monte Redondo”, que tem como objetivo alertar a comunidade para o imperativo de promover a valorização e salvaguarda do mais importante povoado proto-histórico bracarense.

A primeira iniciativa teve lugar no passado dia 11 de outubro, com a realização de uma tertúlia sobre “A pré-história de Braga e o Castro de Monte Redondo”, que contou com a participação de muitos habitantes de Guisande e, especialmente, da proprietária dos terrenos onde se implanta o Castro de Monte Redondo, tendo ficado evidente, não apenas o interesse da população na revitalização daquele sítio arqueológico, mas também a disponibilidade dos proprietários dos terrenos em encontrar uma solução de valorização patrimonial daquele espaço.

Hoje, dia 9 de novembro, vai decorrer uma caminhada ao Castro de Monte Redondo, que prevê a subida ao alto da montanha e visita aos vestígios ali expostos, particularmente as três linhas de muralhas, tendo a primeira mais de um quilómetro de perímetro e um conjunto muito significativo de habitações de plantas circulares e quadradas.

Considerando a valia deste sítio arqueológico, reconhecido plenamente pelas entidades competentes com a sua classificação como Monumento Nacional, torna-se incompreensível que, até aos dias de hoje, nada tenha sido feito em prol da sua salvaguarda e valorização. Mais inexplicável que esse facto, é o profundo silêncio que continua a imperar sobre o Castro de Monte Redondo.

Continua a ser missão primordial dos cidadãos e respetivas comunidades o apelo permanente para a proteção e salvaguarda do seu património cultural. Sublinhe-se, nesse âmbito, as ações de sensibilização promovidas há escassos anos pela JovemCoop e algumas outras intervenções cívicas. No entanto, poucos bracarenses parecem interessados na salvaguarda de um monumento que em outros municípios apareceria, certamente, como baluarte da valorização do Património. 

Localizado em propriedade privada e com acesso reservado, o mais importante testemunho da cultura castreja do concelho de Braga ainda se encontra ausente do quotidiano bracarense. O sonho de Belino, concretizado parcialmente com a criação do Museu D. Diogo de Sousa, continua a aguardar a sua execução. Os materiais provenientes da prospeção arqueológica que promoveu encontram-se na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, enquanto o castro, Monumento Nacional, continua votado ao esquecimento.

Detendo uma comunidade consciente da sua valia patrimonial, disponibilidade dos proprietários para a sua fruição e valorização e empenho da sua Junta de Freguesia, apenas falta o efetivo interesse da Câmara Municipal de Braga e das entidades tutelares do Património Cultural, para que o Castro de Monte Redondo possa finalmente ser descoberto pelos bracarenses. Até quando irá Braga desperdiçar um sítio arqueológico desta valia histórica e patrimonial?

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

+ PATRIMÓNIO: Caminhada ao Castro de Monte Redondo

           Dando continuidade ao ciclo de iniciativas “Vamos reavivar o Castro de Monte Redondo”, que tem como objetivo alertar a comunidade para o imperativo de promover a valorização e salvaguarda do mais importante povoado proto-histórico bracarense, no próximo sábado, a associação Braga Mais, juntamente com a União de Freguesias de Guisande e Oliveira São Pedro, vai organizar uma caminhada ao Castro de Monte Redondo, que estava inicialmente agendada para 12 de outubro.

A caminhada ao Castro de Monte Redondo prevê a subida ao alto da montanha e visita aos vestígios ali expostos, tendo o seu início agendado para as 10h00, sendo o ponto de encontro junto da Igreja de Guisande.

A organização aconselha a todos os participantes a optarem por roupa e calçado adequados à caminhada, que terá uma extensão de cerca de 4 km. A participação é livre, não necessitando de inscrição prévia. Caso se verifiquem condições meteorológicas adversas, a caminhada terá que ser adiada.

O Castro de Monte Redondo é possivelmente o mais importante povoado proto-histórico do território bracarense. Localizado na freguesia de Guisande, no alto do também denominado monte Cossourado ou de São Mamede, a uma altitude de 427 metros, detém uma posição de domínio sobre os vales do Pelhe, em Famalicão e sobre a veiga de Penso, em Braga.

Devemos a Albano Belino, o precursor da arqueologia bracarense, além do alerta para a relevância patrimonial do Castro de Monte Redondo, os primeiros e mais significativos trabalhos de prospeção arqueológica daquele povoado castrejo desenvolvidos nos anos de 1899 e 1900. As escavações revelaram a existência de três muralhas, tendo a primeira mais de um quilómetro de perímetro e um conjunto muito significativo de habitações de plantas circulares e quadradas.

Devido à relevância dos vestígios ali encontrados, o Castro de Monte Redondo seria classificado como Monumento Nacional a 23 de junho de 1910. Apesar disso, encontra-se até hoje votado ao esquecimento e sem qualquer expectativa de valorização patrimonial.