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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

+ PATRIMÓNIO: Visita Guiada ao Parque da Ponte

 


A associação Braga +, em parceria com a União de Freguesias de São Lázaro e São João do Soutoorganiza, no próximo dia 28 de setembrosábadomais um percurso pelo património bracarense, desta feita percorrendo o Parque da Ponte, cujo centenário se assinala em 2024. 

Apesar da maioria dos bracarenses entender o Parque da Ponte como todo o espaço compreendido entre o rio Este - mais propriamente a avenida Francisco Pires Gonçalves – e o complexo desportivo onde se implanta o Estádio 1.º de Maio, o Pavilhão Flávio Sá Leite ou as Piscinas da Ponte, a verdade é que existem duas áreas distintas, até hoje separadas por um muro. Uma parte significativa do espaço arborizado que se encontra no entorno da Capela de São João da Ponte corresponde a uma área pertença da Confraria de São João da Ponte, cujos direitos transitaram para a Paróquia de Santo Adrião, após a sua extinção.

A outra área do Parque da Ponte, cujo centenário se assinala no presente ano, corresponde ao espaço nacionalizado pelo regime republicano, segundo o decreto datado de 15 de agosto de 1911, no qual é confirmada a cedência à Câmara Municipal da Braga, “da chamada Quinta da Mitra, sita em São João da Ponte para horto e parque Municipal”.

O projeto, da autoria de José Pedro da Costa, previa a construção de um grande lago centralizando as áreas ajardinadas, aproveitando-se a fonte quinhentista ali implantada, bem como a antiga residência dos arcebispos, onde se previa instalar-se um casino. 

Em 1922 sucederia a inauguração do Hipódromo Amorim Lima, que era citado à época como um dos melhores do país e estreado nas Festas de São João desse ano. Dois anos depois, em 1924, seria terminado o grande lago, concluindo-se formalmente a empreitada do Parque da Ponte, que seria um dos destaques do Almanaque-Anuário de Braga, publicado nesse ano, que o catalogava como “novo Éden”.

Este percurso, que tem início marcado para as 10h00 junto à Capela de São João da Ponteterá a duração de 90 minutos e será orientado por Rui Ferreira.  

A participação é livre, não exigindo inscrição prévia. 

sábado, 1 de abril de 2023

+ PATRIMÓNIO: Visita Guiada à Zona Ribeirinha de Braga

 

O rio Este apenas no último quarto de século foi plenamente integrado na área urbana de Braga, porém a ocupação humana nas suas margens é quase tão antiga como a própria cidade. É precisamente nesta área, a que chamamos zona ribeirinha, que vão surgir interessantes áreas habitacionais onde a história e o património se encontram.

Por isso mesmo, a associação Braga +, em parceria com a União de Freguesias de São Lázaro e São João do Souto, organiza, no próximo dia 15 de abril, sábado, mais um percurso pelo património bracarense, desta feita percorrendo a Zona Ribeirinha de Braga

Os Galos, as Latinhas ou os Pelames são alguns dos lugares de um percurso que conta com passagens pela Capela de Santa Justa, S. João da Ponte ou Santo Adrião, bem como pelas Fontes dos Galos e dos Namorados.

 Este percurso, que tem início marcado para as 10h00 junto à Ponte dos Pelamesterá a duração de duas horas e será orientado por Rui Ferreira.  

A participação é livre, não exigindo inscrição prévia. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

+ CIDADANIA: Árvore Europeia do Ano em Braga

 

O Património, conceito especialmente cultivado a partir da Revolução Francesa, e especialmente fortalecido após a 2.ª Guerra Mundial, revela-se como dimensão essencial na salvaguarda da memória coletiva de uma comunidade. No entanto, o património não está limitado aos monumentos. Além do património imóvel, hoje sabemos que o património também pode ser móvel, geológico, e até imaterial. E se lhe dissesse que as árvores também podem ser reconhecidas como património e são dignas até de classificação, tal como os monumentos?

Neste âmbito, a França foi um dos países pioneiros, tendo instituído em 2 de maio de 1930 uma lei que levou à proteção de monumentos naturais. A Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural seria adotada pela UNESCO apenas em 1972. Portugal aderiu a esta Convenção ano de 1979, consagrando os seus princípios na nossa legislação, no mesmo período em que instituiu também os parques e reservas naturais.

Mesmo tratando-se de um bem finito, o reconhecimento público do património natural, nomeadamente as árvores, convoca as sociedades, não apenas para a sua proteção legal e inventariação, como convoca as pessoas para um maior envolvimento na sua salvaguarda e divulgação.

Por isso mesmo, em Portugal possuímos um Registo Nacional do Arvoredo de Interesse Público que integra “exemplares isolados ou conjuntos arbóreos que, pela sua representatividade, raridade, porte, idade, historial, significado cultural ou enquadramento paisagístico”, possam ser considerados de relevante interesse público e se recomenda a sua cuidadosa conservação.

No território bracarense já existem nove árvores classificadas. Na cerca do Mosteiro de Tibães dois cedros do Himalaia e um pinheiro-bravo bicentenário; no Bom Jesus do Monte, um plátano na mata do santuário e um carvalho-alvarinho junto à Estação do Ascensor; e um sobreiro e dois carvalhos-alvarinho no jardim junto à Capela de Santa Tecla, em São Victor. Todavia, a mais majestosa e ancestral árvore bracarense integrada no Registo Nacional do Arvoredo de Interesse Público é o tulipeiro da Virgínia que, do alto dos seus 27 metros de altura e quase 300 anos de existência, está implantado no Jardim do Museu dos Biscainhos.

                Esta árvore exótica, natural do leste da América do Norte, um género de plantas com flor pertencente à família Magnoliaceae, que está associada à aristocracia nortenha na região do Minho, que fomentou a sua implantação no território. Com esta ancestralidade só existem em Portugal três exemplares, um no Porto e dois na cidade de Braga, um no jardim da Casa do Passadiço e o já citado exemplar nos Biscainhos.

 Associada a um dos mais relevantes exemplares da arquitetura civil bracarense, esta árvore encontra-se implantada num dos mais importantes jardins barrocos portugueses. No ano em que celebramos especialmente André Soares, artista que deixou a sua marca bem vincada no mesmo jardim, podemos certamente afirmar que terá contemplado o jovem tulipeiro da Virgínia que hoje podemos admirar.

Esta árvore, que marca indelevelmente a paisagem do coração braguês, é uma das árvores finalistas para representar Portugal no concurso europeu “Tree of the Year 2021” (Árvore do ano 2021).

A nível nacional, o concurso é organizado pela União da Floresta Mediterrânica, que habilita a árvore portuguesa vencedora a concorrer à votação para a Árvore Europeia do Ano. O concurso da Árvore Europeia do Ano surgiu em 2011 e foi inspirado num popular concurso organizado pela República Checa. Desde então, o número de países envolvidos nesta competição tem vindo a aumentar, sendo o concurso europeu constituído pelos vencedores dos diferentes concursos nacionais.

O concurso pretende destacar a importância das árvores antigas na herança cultural e natural, não se focando apenas na beleza, no tamanho ou na idade da árvore, mas sim na sua relação com a comunidade. A votação online decorre até 23 de novembro em https://portugal.treeoftheyear.eu/Vote. Todos os bracarenses estão, pois, convocados para ajudar a fazer do Tulipeiro dos Biscainhos a Árvore Europeia do Ano.

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais