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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

+ PATRIMÓNIO: Visita Guiada ao legado de D. Diogo de Sousa

 


A Associação Braga Mais organiza, na manhã do próximo dia 21 de outubro, sábado, uma visita guiada ao legado do arcebispo D. Diogo de Sousa. Esta iniciativa, que se integra nas comemorações do 11.º aniversário da associação, tem como ponto de partida a praça da República, junto do edifício da Arcada, pelas 10h00.

Nesta visita guiada procuraremos dar a conhecer o legado do Arcebispo D. Diogo de Sousa, que governou a cidade entre 1505 e 1532 e foi justamente batizado de novo fundador de Braga. Considerado como o maior vulto da história de Braga, lançou as bases do urbanismo da cidade até quase ao século XX e voltou a torná-la grande, numa altura em que poderia ter sido condenada ao esquecimento. 

Os descobrimentos abafaram as cidades que não estavam junto ao mar e D. Diogo de Sousa, conhecedor da Roma renascentista, dotou Braga de novas ruas e espaços urbanos, mandou construir novos templos, fontes e infraestruturas para o comércio. Convidou artistas para virem trabalhar em Braga e assistiu à fundação de novos conventos e promoveu a existência de formação superior, através da fundação do Colégio de São Paulo e a fundação do Hospital de São Marcos.

Nesta visita guiada iremos percorrer alguns dos espaços mais emblemáticos da obra de D. Diogo de Sousa, nomeadamente a Fonte dos Granjinhos, o pórtico primitivo do Hospital de São Marcos, a cabeceira da Sé Primaz ou a rua e Porta Nova que este arcebispo mandou abrir. O percurso irá terminar junto da Fonte de Santiago, na rua da Cónega.

No final desta iniciativa terá lugar um almoço de confraternização, assinalando o 11.º aniversário da Braga Mais. Quem pretender inscrever-se pode fazê-lo através do email associacaobragamais@gmail.com até ao dia 19 de outubro.


sábado, 17 de junho de 2023

+ CIDADANIA: Uma estátua a D. Diogo de Sousa

 

Na próxima segunda-feira, dia 19 de junho, cumpre-se 491 anos sobre a morte do arcebispo D. Diogo de Sousa, incontornavelmente, o maior vulto da história de Braga. Arcebispo e senhor de Braga entre 1505 e 1532, lançou as bases do urbanismo da cidade quase até à contemporaneidade, tendo promovido a sua decisiva revitalização, num momento histórico em que poderia ter sido condenada ao esquecimento, porque a epopeia marítima havia voltado Portugal para o mar.

Conhecedor da Roma renascentista, dotaria Braga de novas ruas e espaços urbanos, rompendo com o espartilho das muralhas medievais, abrindo praças e novas ruas, adornando a cidade de fontes, cruzeiros e templos, mas também de infraestruturas para o comércio, tendo também fundado o primeiro hospital da cidade e a primeira instituição de ensino público, o Colégio de São Paulo, ainda que não o tenha posto a funcionar.

Apesar do reconhecimento generalizado do seu papel na história da cidade de Braga, este arcebispo a sua memória continua a não ser evocada da forma que justifica. Dizia José Ferreira, há quase um século, que D. Diogo de Sousa “é considerado o maior benfeitor de Braga, e esta cidade deve-lhe um monumento público, e não resgatará o labéu de ingrata, enquanto não o fizer”. Quase cinco séculos depois da sua passagem, a nossa cidade mantém esse pesaroso labéu e não parece interessada em deixá-lo.

Apesar de discutido o seu papel no contexto da arte contemporânea, as estátuas continuam a afirmar-se como meio preferencial para a preservação e salvaguarda da memória coletiva das comunidades. Erguidas como prova de homenagem e como valor de memória, afirmam-se como marcos fundamentais de identidade.

Utilizadas pelas civilizações clássicas como forma de homenagear os deuses e os detentores do poder, foram recurso crescentemente utilizado a partir do Renascimento, confirmando o seu papel no contexto urbano até aos nossos dias. As estátuas continuam a ser a mais relevante forma de evocação das personalidades mais relevantes da história de uma comunidade.

Monumentais e destacados, atraindo os olhares de quem passa, este tipo de linguagem evocativa mostra-se hodiernamente particularmente eficaz. Como não recordar a icónica estátua de Cristóvão Colombo em Barcelona, a imponente estátua do Marquês de Pombal em Lisboa ou a marcante Coluna de Nelson, no centro da Trafalgar Square, em Londres?

Há precisamente dois anos, a Câmara Municipal de Braga teve a iniciativa, aparentemente pródiga e feliz, de erguer um monumento evocativo ao arcebispo D. Diogo de Sousa, que teria sido ação meritória, se efetivamente tivesse cumprido o seu propósito, e não tivesse cometido três graves equívocos.

O primeiro refere-se à localização: a relevância da personalidade não justificaria um lugar de destaque no contexto do centro cívico bracarense, encontrando-se remetida àquele lúgubre? O segundo erro refere-se à forma: seria possível almejar uma homenagem relevante, estando refém de um concurso de ideias e não apostando num artista de reconhecidos méritos?  O terceiro, e fundamental, lapso foi a dotação: como se pode levar a efeito a evocação da principal figura da história de uma cidade, sem um orçamento proporcional à sua importância?

Quantos bracarenses, minimamente conscientes do papel determinante de D. Diogo de Sousa na história da cidade de Braga, se sentem devidamente penhorados, quando contemplam aquele monumento evocativo?

Estamos a precisamente nove anos de distância de assinalar o quinto centenário da morte de D. Diogo de Sousa. Oxalá possa ser oportunidade para que as principais instituições bracarenses, Câmara Municipal de Braga, Arquidiocese de Braga e Universidade do Minho, se unam, não apenas para evocar o homem e a sua obra, mas principalmente para erguer a estátua que o arcebispo D. Diogo de Sousa plenamente justifica.

 

Rui Ferreira

Presidente da Direção da Braga Mais