A cidade de Braga exibe um
vínculo histórico e emocional a São João Baptista, o santo mais celebrado de
Braga, pelo menos, desde o século XVI, no entanto, também outro dos Santos
Populares, no caso Santo António, deteve um protagonismo assinalável no âmbito
da religiosidade bracarense.
Nascido em Lisboa no ano de
1195, tornar-se-ia religioso franciscano, tendo conhecido o fundador daquela
ordem religiosa, São Francisco de Assis. Exímio pregador, veio a falecer no dia
13 de junho de 1231, tendo sido sepultado na cidade italiana de Pádua. Devido à
sua inteligência e dotes oratórios, é considerado um dos maiores santos da
história do Cristianismo, exibindo uma singular popularidade em muitos lugares
da Cristandade e estando associado a um conjunto significativo de práticas
supersticiosas.
O primeiro indício deste culto
na cidade de Braga foi registado numa das portas da muralha medieval. O Postigo
de Santo António, aberto presumivelmente no século XIV, detinha um nicho com a
imagem do santo, que terá sido o primeiro local de evocação do taumaturgo
lisboeta. Seria no espaço contíguo a esta passagem medieval, demolida na década
de 1780, que, a partir de 1572, surgiria o Recolhimento das Beatas de Santo
António, numa iniciativa do padre Domingos Peres, que a legaria à Misericórdia
de Braga a partir de 1608. Apesar de ter sobrevivido até à República, o
edifício do Recolhimento, voltado ao Campo da Vinha, seria demolido em 1885, em
virtude do alargamento da rua de Santo António da Praça.
Bem próximo destes dois espaços
surgiria, presumivelmente no início do século XVII, a Capela de Santo António
da Praça, também designada de Santo António do Campo dos Touros, um popular
espaço de culto instalado na cerca do antigo Paço dos Arcebispos e voltado à
atual Praça Municipal, que seria demolido em 1949, na sequência da abertura da
atual rua Eça de Queiroz. Entretanto, o seu culto seria transferido para uma
das capelas laterais da Igreja do Pópulo. Este autêntico complexo antoniano
bracarense, constituído pelo postigo medieval, recolhimento de beatas e capela,
desapareceria completamente do quotidiano bracarense.
Além da Capela de Santo António
da Praça, a cidade de Braga contaria com outro templo devotado a este popular
orago. Trata-se da Capela de Santo António dos Esquecidos, erigida em 1706 na
lateral da Capela dos Coimbras. Surgindo a partir da intensa devoção de que era
alvo uma das esculturas que se exibia num dos nichos exteriores da Capela dos
Coimbras, esta capela, que contava com um oratório gradeado e uma peculiar
escadaria de acesso, seria projetada por Manuel Fernandes da Silva, tendo sido
demolida em 1926, na sequência do processo de reedificação da Casa dos
Coimbras.
Também a rua de Santo António
das Travessas, que chegou a ser uma das mais controversas da cidade - pelo
facto de ter acolhido a segunda judiaria bracarense e por ter sido, durante
mais de um século, o lugar preferencial da profissão mais antiga do mundo – honraria
o taumaturgo lisboeta no seu topónimo, substituindo a medieval designação de
“triparia”, devido a um popular nicho que exibia uma escultura do santo,
outrora existente no edifício tardo-gótico, atualmente integrante da Biblioteca
Lúcio Craveiro da Silva.
Mantendo populares festividades
em diversas freguesias do concelho, como é o caso de Lomar, Lamas, Aveleda,
Tebosa ou Espinho, Santo António também é celebrado com intensidade na
freguesia da Sé, onde se realiza as Marchas de Santo António, numa iniciativa
que chegou a contar com uma programação mais extensa nas décadas de 1970 e
1980.
Organizada pelos moradores do
largo da Boa Luz e da rua Dom Gualdim Pais, haveria de ser assumida pela
associação dos Bravos da Boa Luz. Atualmente, os templos dos Terceiros e do
Pópulo mantêm uma singular devoção em honra de Santo António, continuando a
distribuir o “pão dos pobres”, no dia da sua festa.
Devido à relevância que a
devoção a Santo António detém na história da religiosidade bracarense, a
associação Braga Mais organiza hoje, dia em que a Igreja Católica celebra um
dos seus mais populares santos, uma Rota Antoniana, percorrendo os espaços onde
este culto exibe singular vitalidade, mas também evocando os lugares que
outrora lhe eram devotados.
Rui Ferreira
Presidente da Direção da Braga Mais

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